sábado, 28 de março de 2009

Trabalho Dignifica



PETICOLÉ

Estava eu em Nova Aurora, aguardando atendimento do Médium Alan Kardec, quando ouvi uma criança oferecendo picolés.
Era uma criança de olhos vivos, magra, mas disposta e um rostinho cândido bem corado.
Aquela atividade exercida pela criança também já fora meu ganha-pão. Não sei se eu era mais fraco ou se os carrinhos de picolé ficaram mais leves. Aquele goianinho tinha passadas mais rápidas que as minhas. Num instante, após meu chamado, ele já destampava o carrinho, dizendo:
- Tem de coco, tamarindo, coalhada, milho verde e limão. Dois por um real.
Garoto dinâmico, pois vira que éramos um casal e foi logo empurrando o preço de dois. Pra puxar conversa, comprei mais que dois.
Ele estava trajando, por ironia, uma camiseta do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Falei-lhe que estava errado ele trabalhar uma vez que era amparado pelo PETI. Disse-me que trabalhava após as aulas do PETI e que, depois das quatro da tarde, conseguia faturar até dez reais ao dia, quando o programa lhe rende apenas vinte e cinco por mês.
Ele não sabe, mas daquele momento em diante comecei a incluí-lo nos meus pensamentos e conversas com Deus.
Acho que é cultura, mas não consigo conceber esta idéia de castração do trabalho jovem.
Dizem ser direito da criança e que seu dispor deve estar voltado para a educação e lazer, mas por trás de tal máscara estão os propósitos mercantilistas estadunidenses. Mão de obra infantil é barata e faz preços de produtos finais caírem, favorecendo a concorrência aos países em desenvolvimento. Concorrência desleal se caracteriza quando somente um vende - isto sim.
A minha geração não foi poupada e, com isto, não houve desvirtuamento de atitudes, muito ao contrário.
A aventura humana é um trabalho sem fim. Aquele que se afasta do labor certamente torna-se uma pessoa morta.
Trabalhemos sete dias da semana, se preciso for, pois esta é a única arma contra quaisquer crises. Mais uma vez é o trabalho socorrendo o capital.
Deus trabalhou apenas seis e a conseqüência é um homem imperfeito.

2 comentários:

Aloisio Nunes de Faria disse...

Parabéns! "Doença Crônica" está cada dia melhor!

Edilvo Mota disse...

Poizé, Aristeu. O mané aqui, hoje com 50, tbm caiu na lida cedo (nem lembro mais com quantos anos).

Da catação de cobre à venda de verdura, pudim (eita cheiro q matava!), big-bom, revista, serviço de engraxate, faxineiro, tipógrafo, militar....
E não é que, na falta do PETI, o trabalho acabou me fazendo foi bem?

Parabéns!

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