domingo, 3 de agosto de 2014

Para o dia das mães

Ela

Tudo qu’eu imaginar
Já falaram desse ser
E muito há por falar.
Antes de em Deus crer
É preciso suas verdades
Aprender no dia-a-dia:
Repartir com igualdade,
Manter unida a família,
Desperdiçar muito amor!
Ensinar com o exemplo
E num sopro...
Dissipar com toda dor.
Ir aos domingos no templo,
Atarefar-se um tanto,
Não dormir pesadamente,
Esconder o doce pranto,
Enfrentar o de repente,
Ter muita força nos braços,
Ser delicada qual rosa,
Ensinar os primeiros passos,
Puxar um pouco a prosa,
Ser um porto seguro,
Tirar da boca ao filho,
Espalhar o que é puro,
Dar nas virtudes mais brilho!
De quem escrevo se sabe
Que todos livros não cabem:
É mais alimento que os pães,
É mais fiel que os cães.
Quem é? Faça a rima acima.

Procurando briga no dia das mães,



(Definição) Mãe – Qualquer fêmea  que deu à luz uma ou mais crias.

Hoje é dia das mães!
Muitos quitutes na mesa
E variedade de pães.
Embrulhinhos com surpresas.

Que vão arrancar emoções,
O amor tão atingido
Em pedra, panos, loções
E um ramalhete colorido!

O almoço é fartura
Guloseimas sem fim.
A dieta depois cura,
Mas filho gordo a mãe quer sim.

Vai ter prosa de arrasar,
Os mais velhos gargalharão,
Mais novos no celular
Pouco compartilharão.

Tenho a memoria que esvai,
Não me leve em consideração,
Não me lembro de dia dos pais,
Com tamanha empolgação.

Talvez só tenha existido
Um simples toque no fone,
Não estou entristecido,
Frescura não é pra homem!

Nosso dia é bem depois
Num domingo feio que vem
Que se enfeite apenas o arroz
No mês a gosto de quem.

domingo, 27 de julho de 2014

Eu vos deixo a paz...



“Onde houver ofensa que eu leve o perdão”

Durante quase toda a minha vida literária escrevi para poucos. Uma ou outra crônica encontrou espaço em jornais e revistas que se perderam com os ovos da feira ou foram debulhados em banheiros públicos. Hoje a tela é porta de banheiro onde se publica de tudo.
Minha diversão principal infanto-juvenil era ler. Devorei muitos compêndios ecléticos, sem dizer que, na prática, escrevia certo minha história por ruas tortas. Escrevi muito. O nome que davam eram composições e então compus muito. Escrever é uma arte maldita. Ainda hoje é uma profissão, como a de prostituta, que não foi reconhecida. Os escritores se esparramam pelo chão.
A interpretação do que se escreve é que são elas, tanto que se divergem religiões oriundas de um mesmo texto ou caminho, vida e verdade. Certa vez um texto de Mário Prata foi incluído pelo Ministério da Educação em um concurso de validação médica e, o próprio Mario Prata, deu versões diferentes do gabarito, tirou zero.
Hoje temos blogs, flogs, facebook e tantos inúmeros instrumentos para se propagar ideias, fatos, uma história, porém, esta facilidade, nos tem inundado com um besteirol sem tamanho, ainda que esquecendo-se os erros crassos portugueses, aventando-se apenas nas mensagens pueris.
Opiniões descabidas e fomentadoras de objetivos insanos são absorvidas como algo verdadeiro e inquestionável porque ainda, segundo Tomas Hobbes, o homem é o lobo do próprio homem.
A propósito um dedo médio em riste não é para que todos nós tenhamos prazeres sexuais, mas que todos os tipos de males nos acometam... Ou não?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Devorando poesia



FILÉ À PARMEGIANA  PARA OITO PESSOAS



Vou rimar agora uma receita
Pra Mama Rita Linda Italiana.
É uma comida bem aceita
O tal de Filé à Parmegiana!

Limpe bem toda a peça
Sem deixar qualquer nervura,
Ficará macio à beça,
Será pura gostosura!

Faça os bifes à milanesa,
Não precisam ser bem fritos
Reserve num canto da mesa
E faça então o molhito.

Serão três litros de molho
Com três cebolas refogadas
Dez tomates sem miolo,
Sal do jeito que agrada.

Duas latas de ervilhas
E de milho assim também,
Antes que se fervilha
Extrato de tomate vai bem.


Ponha água e um pouco aguarde
Para entrar azeitona sem caroço
Você escolhe a quantidade,
Mas o caldo tem que ser grosso.

Em dois médios refratários
Cubra bem com o milanesa.
Ponha nosso molho culinário
E no forno a chama acesa.

O suco vai acima dos bifes
Quando entra o presunto,
Mussarela de grife.
E fio de azeite junto.

Cubra tudo com o molho,
Leve ao forno bem quente
Vinte minutos e fique de olho,
Borbulhou pega pra gente.

Acompanha um arroz branco
E talvez uma salada,
Mas para ser franco,

Parmegiana e mais nada!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A todos os órfãos, principalmente o Antonio Marcos



Novo endereço

Meu amigo, as leis naturais cumprem-se nos tempos devidos. É de grande apreço este desejo em querer burlá-las, mas o bem maior é o propósito.
Pessoas tão distintas que dedicaram a nós, por pleno amor tão somente, todo o seu tempo, conhecimento ou virtudes, não deveriam partir assim tão de repente,
após quase oito décadas de bons serviços prestados. A impotência nos põe para refletir no que poderíamos ter feito para prolongar os dias do ser tão querido.
Nada, apenas ter correspondido ao zelo dedicado já lhes terão garantido uma ascensão mais tranquila na eterna viagem.
Filhos, como você e suas irmãs, são passaportes carimbados de uma missão tão grandemente cumprida de povoar a terra com o bom fruto.
Seu Antônio e Dona Teresinha, nunca sós, expressões confirmadas de humildade, caráter, trabalho profícuo e boa-vontade, agora diante à família espiritual,
não estão em brancas nuvens, mas no labor onde o cansaço, a dor ou a descrença não fazem guarida contra a evolução e o progresso, tesouros que traças não comem.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Mês da Mulher



SER HUMANO E SER MULHER

Existe o ser humano e o ser mulher. Ser humano é aquele que busca o amor pelo caminho e ser mulher é aquele que distribui amor pelo caminho. O ser mulher é a evolução do ser humano, causa e efeito. Existem mulheres que ainda são seres humanos, mas no mais alto grau de transição, de um estado sólido para um etéreo. Numa linha de produção, o último produto é aquele que contém todo o acabamento fino, a tecnologia, o avanço e a proximidade da perfeição para o fim que se destina. A mulher é o extremo controle de qualidade da fábrica Divina e o Criador se deu por satisfeito e foi descansar, porque a mulher, osso duro da costela teve uma pitada de carne de pescoço. Quando li no Grande Livro o homem exclamando que a mulher era carne de sua carne e ossos dos seus ossos, eu cri que Deus arrancou a costela e fez os ossos e a carne foi retirada das cavidades do nosso coração, por isto que temos um vazio no coração que só a mulher pode preencher.
Esta soberana, desde as cavernas, paraíso ou inferno, vem moldando o mundo para um céu com o seu jeito de ser. Sempre soube ser mãe, sempre soube ser filha, sempre soube ser paciente, sempre soube ser bela, sempre soube contemplar com gestos mais simples que lhes arrancam dois rios de água salgada que saem e voltam para o coração.
As mulheres tornaram se estadistas e continuam “amélias”. Dizem que o melhor lugar para as mulheres é o tanque, o fogão ou a cama, mas o melhor lugar é onde elas estiverem. Deixou o lar, mas nunca o faria se a insatisfação ou necessidade não arrombasse sua porta.
Talvez o principal ingrediente desta formulação de ser mulher seja o gênero fêmea, porque os animais mais simples que nos cercam denotam características gêmeas da mulher, como a galinha choca, a vaca parida ou a coruja. Se quisermos conquistar alguém o caminho mais curto é conquistar a mãe desse alguém.
A mulher é um tesouro a céu aberto, cristalino que muitos não enxergam. É um livro de enigmas fáceis do começo ao fim e nós animalescos nos perdemos num Ponto Gê. Mesmo perdidos nos damos por satisfeitos até procurar novamente.
Quem faz toda a leitura é como passar por debaixo do arco-íris da nossa infância e estará pronto pra ser mulher, um pote de ouro.
Existe um dia para a mulher. Existe um mês para a mulher. Talvez nove meses não seja o suficiente e, as bobas, contentam-se com um instante.
Sou mais um fracassado na arte de expressar a mulher e jogarei a culpa na falta de tempo, tendo toda a eternidade.

sábado, 7 de dezembro de 2013

EU SOU FUBÁ



Prato de comida

Por um prato de comida,
Deixa-se a terra natal,
Na Araguari prometida
A fome iria se dar mal.

De nove, os três pequenos,
Por um prato de comida,
Provariam do veneno
De uma avó sempre mordida.

Era um de dura lida,
Não sabia o que fazia,
Por um prato de comida
A Vódrasta obedecia.

Pra trás ficaram três,
Com a fome ainda ardida,
“Ponham pouco todos vocês,
O prato é raso de comida.”

Por um prato de comida,
Mal se quis à avara avó.
Sara então esta ferida,
Jesus desmancha este nó.

Na cidade Sorriso,
Por um prato de comida,
Fazer de tudo foi preciso,
Toda a família investida.

Uns à toa na torcida,
Ficavam de boca aberta,
Por um prato de comida,
Avançavam sempre alertas.

O pai com mínimo salário,
Invernou-se na bebida.
Partiu com meio centenário
E rareou o prato de comida.

Por um prato de comida,
A mãe com outro se ajuntou
E os filhos na repartida,
Com a filha mais velha ficou.

Abandona-se então a escola,
Pra ganhar o prato de comida,
O que o mundo mais esfola
É a fome sem medida.

A Lei de Deus foi cumprida,
Com pranto suor do rosto,
Teve –se o prato de comida
Recheado a todo gosto.

Quando a fome aperta
Troca-se por uma jazida.
Simples mingau de fubá
Vira o melhor prato de comida.

Boia fria como prato de comida,
Desce bem no agricultor.
No restaurante é sortida,
Mas que pesa na hora de por.

No quartel vai-se engajar,
Por um bandejão de comida.
Sobre o estômago a marchar
Assim é nossa vida.

Um menu de boa pedida,
Pra não ter mais sede e fome,
É encontrar a verdadeira comida,
O Poço que abastece os homens.

O Prato Nosso de cada dia,
Merece uma boa esculpida,
De suor, lágrimas e alegria
De uma alma agradecida!