quarta-feira, 19 de março de 2014

Mês da Mulher



SER HUMANO E SER MULHER

Existe o ser humano e o ser mulher. Ser humano é aquele que busca o amor pelo caminho e ser mulher é aquele que distribui amor pelo caminho. O ser mulher é a evolução do ser humano, causa e efeito. Existem mulheres que ainda são seres humanos, mas no mais alto grau de transição, de um estado sólido para um etéreo. Numa linha de produção, o último produto é aquele que contém todo o acabamento fino, a tecnologia, o avanço e a proximidade da perfeição para o fim que se destina. A mulher é o extremo controle de qualidade da fábrica Divina e o Criador se deu por satisfeito e foi descansar, porque a mulher, osso duro da costela teve uma pitada de carne de pescoço. Quando li no Grande Livro o homem exclamando que a mulher era carne de sua carne e ossos dos seus ossos, eu cri que Deus arrancou a costela e fez os ossos e a carne foi retirada das cavidades do nosso coração, por isto que temos um vazio no coração que só a mulher pode preencher.
Esta soberana, desde as cavernas, paraíso ou inferno, vem moldando o mundo para um céu com o seu jeito de ser. Sempre soube ser mãe, sempre soube ser filha, sempre soube ser paciente, sempre soube ser bela, sempre soube contemplar com gestos mais simples que lhes arrancam dois rios de água salgada que saem e voltam para o coração.
As mulheres tornaram se estadistas e continuam “amélias”. Dizem que o melhor lugar para as mulheres é o tanque, o fogão ou a cama, mas o melhor lugar é onde elas estiverem. Deixou o lar, mas nunca o faria se a insatisfação ou necessidade não arrombasse sua porta.
Talvez o principal ingrediente desta formulação de ser mulher seja o gênero fêmea, porque os animais mais simples que nos cercam denotam características gêmeas da mulher, como a galinha choca, a vaca parida ou a coruja. Se quisermos conquistar alguém o caminho mais curto é conquistar a mãe desse alguém.
A mulher é um tesouro a céu aberto, cristalino que muitos não enxergam. É um livro de enigmas fáceis do começo ao fim e nós animalescos nos perdemos num Ponto Gê. Mesmo perdidos nos damos por satisfeitos até procurar novamente.
Quem faz toda a leitura é como passar por debaixo do arco-íris da nossa infância e estará pronto pra ser mulher, um pote de ouro.
Existe um dia para a mulher. Existe um mês para a mulher. Talvez nove meses não seja o suficiente e, as bobas, contentam-se com um instante.
Sou mais um fracassado na arte de expressar a mulher e jogarei a culpa na falta de tempo, tendo toda a eternidade.

sábado, 7 de dezembro de 2013

EU SOU FUBÁ



Prato de comida

Por um prato de comida,
Deixa-se a terra natal,
Na Araguari prometida
A fome iria se dar mal.

De nove, os três pequenos,
Por um prato de comida,
Provariam do veneno
De uma avó sempre mordida.

Era um de dura lida,
Não sabia o que fazia,
Por um prato de comida
A Vódrasta obedecia.

Pra trás ficaram três,
Com a fome ainda ardida,
“Ponham pouco todos vocês,
O prato é raso de comida.”

Por um prato de comida,
Mal se quis à avara avó.
Sara então esta ferida,
Jesus desmancha este nó.

Na cidade Sorriso,
Por um prato de comida,
Fazer de tudo foi preciso,
Toda a família investida.

Uns à toa na torcida,
Ficavam de boca aberta,
Por um prato de comida,
Avançavam sempre alertas.

O pai com mínimo salário,
Invernou-se na bebida.
Partiu com meio centenário
E rareou o prato de comida.

Por um prato de comida,
A mãe com outro se ajuntou
E os filhos na repartida,
Com a filha mais velha ficou.

Abandona-se então a escola,
Pra ganhar o prato de comida,
O que o mundo mais esfola
É a fome sem medida.

A Lei de Deus foi cumprida,
Com pranto suor do rosto,
Teve –se o prato de comida
Recheado a todo gosto.

Quando a fome aperta
Troca-se por uma jazida.
Simples mingau de fubá
Vira o melhor prato de comida.

Boia fria como prato de comida,
Desce bem no agricultor.
No restaurante é sortida,
Mas que pesa na hora de por.

No quartel vai-se engajar,
Por um bandejão de comida.
Sobre o estômago a marchar
Assim é nossa vida.

Um menu de boa pedida,
Pra não ter mais sede e fome,
É encontrar a verdadeira comida,
O Poço que abastece os homens.

O Prato Nosso de cada dia,
Merece uma boa esculpida,
De suor, lágrimas e alegria
De uma alma agradecida!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mengo, há quem não Aprov.




REGATAS

Teve um tempo que só se ouvia futebol pelo rádio e, neste tempo, eu ganhei uma camiseta do Cruzeiro, coisa simples, mas que meus coleguinhas babavam principalmente os do time sem camisa. Todos, inclusive eu, pobres um tanto e não sabíamos devido a uma felicidade gratuita.
Aquela camisa azul era envergada por grandes nomes como Dirceu Lopes, Nelinho, Tostão e o goleiro Raul em princípio de carreira, mas eu ainda não era torcedor. A bendita TV Globo, ainda em preto e branco chuviscado, começou a transmitir o futebol carioca e o paulista. A sardinha puxada para a brasa do carioca desde o sempre.
Devemos muito à Globo e sua telinha maravilhosa que nos trouxe o circo, o espetáculo, o mundo... Um idealismo pode se transformar num capitalismo para sobreviver, por isto uma corrente de intelectuais difamam a Rede Globo, mas é a selvageria dos ricos negócios que maculam mandatário, atletas e tevês.
Então com a TV eu vi o Flamengo. Havia um driblador esculachado que me chamou a atenção – Paulo César Caju. Sempre gostei do esculacho, mas depois dele veio o Zico e toda esta história onda do Clube de Regatas Flamengo.
Fui ao Maracanã na última conquista. Não sou mais aquele menino pobre, mas não posso me dar ao luxo de sair do interior goiano para simplesmente ver o Mengo a mil e duzentos quilômetros. Consegui um passageiro para dividir comigo as despesas de combustível e pedágios.
Meu filho terminou um curso militar coincidente com o jogo e fui à sua formatura. Matar dois coelhos com uma cajadada e ainda levei um cartaz de cunho político para lançar um protesto sobre o executivo araguarino. Araguari é minha mãe adotiva.
Eu já morei no Rio em 82 e 91 e frequentei o velho Maracanã. Gostava mais dele que do atual. Futebol era de pessoas mais humildes, menos em alegria desdentada. Havia vendedores ambulantes de todo jeito e que entravam gratuitamente. Vendiam cervejas, água, amendoim torrado, geladão (nome do picolé), mate gelado e outros petiscos infantis. Hoje a polícia e guarda municipal confisca tudo, mesmo fora do Maraca. Cerveja, o principal combustível do torcedor, só na Copa do Mundo. Só o bilhete de entrada custou duzentos e cinquenta reais e o transporte até o estádio ainda é caótico aquele trem. Comprar ingressos pela internet democratizou e ampliou as vendas, mas tornou-se seleto também.
A torcida é uníssona, ainda que sem maestro aparente. No jogo da final iríamos vibrar muito com apenas o zero a zero, mas duas bolas com endereço certo carimbou a faixa e ficamos sem noção, tri-campeão, nunca poucos sempre roucos, multidão.
O novo Maracanã treme menos, pois não tem coração acelerado, bolso e bolsa. Nesta final da Copa do Brasil meu vocabulário só tinha a palavra Mengo enquanto que noutros dicionários curriculares omitem este povo, esta nação de vasto território e mares, cercada de inimigos por todos os lados.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Maitê Tética


PT SAUDAÇÕES

Maitê, a respeito da subjetividade conceitual que se recai sobre o Partido dos Trabalhadores eu não posso concordar, mas jamais impedi-la de flamular esta bandeira. Não é caso pessoal, mas coletivo. O PT nasceu dentro da Igreja e tem caminhado aparentemente sem Deus. Vai ver é porque ainda tem o Lula e brilha uma estrela lá lá, trá lá lá, tró ló ló. Não posso precisar desde quando tenham seguido esta estrela cadente, que cai.
Se hoje criticam os intelectuais é sabido aos quatro ventos que muitos desses foram seus generais. O PT não nos legou nada de novo às exceções da esperança que se eterniza e o fanatismo de correligionários marsupiais arraigados na teimosia. Estes que ora o nosso Supremo condena, muito brando por sinal as penas, haverão de perante a existência de Deus, em última instância, declararem-se inocentes e, em uníssono o grito de guerra: Eu não sabia.
Houve um tempo em que a palavra pacto foi amplamente difundida por este grupo e caiu em desuso sob a batuta deles no comando. Quando devíamos satisfações ao FMI, havia uma carta de intenções sociais que se concretizavam em grande parte por nossos soberanos. Hoje amargamos falácias das falsas promessas e compromissos de boca pra fora, sem que fiscal algum dê jeito. Mandatários dividem entre si fatias recheadas do bolo onde migalhas saltitam nas mesas dos demais.
Seu pai, dono de bar, tinha o costume de testar a honestidade dos funcionários deixando, como que distraidamente, uma nota sob uma garrafa de 51 e ficava observando, como uma águia, por sobre os óculos, isca e vítima. Petistas contentavam-se com a garrafa de 51, mas hoje também levam a nota.
O PT virou um time e os correligionários, são como torcedores de futebol. Pouco importa se o gol foi contra, se o juiz roubou ou se a sorte ajudou, mas o importante é o resultado. No fim arrotam superioridade e, nem que a vaca tussa, trocam de time.
Quando o Cristovam Buarque deixou o Partido, por exemplo, pensei que outros intelectuais o seguiriam, mas alguns “boffs” ficaram com o estigma da desculpa: Deus ainda está conosco!
Não me venha falar que outros partidos, como o PSDB, estejam contribuindo sorrateiramente para difamar o PT, pois todos são aproveitadores desde seus estatutos e derrocar o outro é o mandamento maior.
O PSDB também foi usuário de mensalões ou mensalinhos? Claro que foi. Isto é Brasil onde tudo começou com negociatas e escravidão. O certo é que o PT é a bola da vez e devemos concentrar nesta bola vermelha, como a sinuca, para depois encaçapar a azul, noutra tacada. Se fôssemos hábeis daríamos uma tacada só, mas falta giz até para nossos professores e o buraco é mais embaixo.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Somos todos hipócritas – Viva o Prefeito!


Somos todos hipócritas – Viva o Prefeito!

Assim como existem eclesiásticos pedófilos, também, de santinhos, políticos têm apenas aquele papelzinho fajuto de campanha, com imagem retocada, inclusive eletronicamente, e feitos, ou a fazer, maiores que os trabalhos mitológicos do semideus Hércules.
Somos conscientes da demagogia e que, dum jeito ou de outro, bandeiraremos pelo que mais poderá fazer por nós, no particular ou no coletivo, preferência no particular.
Não existe governo bom, na realidade, em qualquer caso, nós que somos os bonzinhos e que estamos fazendo pra eles.
Por quê gastam mais na campanha que no somatório dos salários de todo o mandato? Qual a vantagem de ser ridicularizado, julgado e condenado como o mais vil dos criminosos? Não existem analfabetos políticos. Quanto mais bobo mais apaixonado e influente no sufrágio.
Os corruptos também ficam magoados e sua contrapartida ao desafeto também entra para o rol da impunidade.
A função política é uma negociata diuturna de quem dá mais. É um troca-troca, dança de cadeiras, traições e mazelas repugnantes. Ao cidadão de ponta de linha sobram choros, xingamentos e voto repetido.
Atiramos no Tiririca o voto vingativo e acertamos uma meia dúzia de mensaleiros fichas limpadas por desembargadores infringentes. O apelido do palhaço abestado deveria ser legendário e, pasmo-me, será reeleito. Se todos os congressistas fossem palhaços, ainda assim, a gente ficaria tiririca, sem alegria, portanto.
Torço para que o Caixa Dois seja zerado e quitadas todas as dívidas escusas de campanha e que surja um novo tempo democrático. Não peques mais. Que a regeneração ocorra e que, de verdade, o interesse do povo venha conforme o merecimento.

Eu sempre vou trabalhar gratuitamente em favor de um candidato de meu conhecimento e torcer pra não ser eleito político, assim o terei sempre como amigo eleito, afinal não desvirtuar é quase impossível.
Existem uns poucos bons, mas normalmente, ao longo de milênios, são crucificados e ainda dão o paraíso aos ladrões, bons ou maus.

domingo, 27 de outubro de 2013

ALAOR DOS MACACOS


ALAOR DOS MACACOS

Existem certas pessoas em que não há a necessidade de conhecer pormenores de sua existência para simpatizar-se com elas. O Alaor era meu freguês na padaria. Toda tarde ele fazia um lanche composto de um guarazinho Mineiro acompanhado de um pedaço de bolo ou outra quitanda. A propósito eu sempre dava um desconto considerável. Alguém como ele, já de idade, sempre a pedalar há de ter a minha admiração, mas Alaor ia além – Ele tinha uma carretinha na bicicleta. Nesta carreta eu o vi fazer até mudança de pobres como ele, mas o trabalho principal da carretinha era recolher lixo reciclável, um complemento financeiro de grande monta. Ele me contou que recolheu, por encomenda, uma boa porção de mini coca-cola para alguém que estava a vender pinga nesse vasilhame, mas, depois de tanto trabalho, na hora da entrega, o freguês “roeu o caroço” e não mais quis. Ele teve que ir até o lixão descartar tal carga, bem fora da cidade, em difícil trajeto. Tempos atrás poderia jogar num local próximo específico que a Prefeitura levava, mas o caminhão de lixo não faz mais este ponto.
Alaor era chamado por este apelido porque num tempo mais remoto ele tinha dois macaquinhos domésticos que faziam a felicidade dos garotos. Atualmente sua paixão estava voltada para os cachorros abandonados e, quase sempre, ia até o Lixão apenas para brincar com os cães que moram por lá. Outro dia estava muito triste, pois o caminhão do lixo esmagou uma destas criaturas. Algum desalmado deixou uma ninhada de filhotes na porta de sua casa e encontrei com ele quando buscava leite para alimentá-los. Grande Alaor!
No princípio da semana eu havia conversado com o Dr João Bernardes dos Reis, dono do Supermercado Goiandira, para dar a tarefa de entregar as compras feitas no seu comércio para o Alaor, afinal ele conhecia todos os endereços e todas as pessoas de nossa cidade. Ainda havia a vantagem de nem sequer registrá-lo, pois era aposentado com benefício. João gosto e aprovou a ideia. Na quarta-feira encontrei com o Alaor e comentei desta possibilidade de trabalho e ele ficou radiante, pois não estava compensando e nem mais dando conta de se melhorar pelo lixo.
Na Sexta à tarde veio a fatalidade ao homem bom que ajuntou tesouros nos céus. Necessariamente deve se ter feito uma força descomunal para produzir-lhe um infarto fulminante que o transportou para uma morada do Pai, onde tudo novo e cheirando a tinta, nada de lixo.
Aquele simpático senhor que trazia gratuitamente cascas de barbatimão pra se banhar a ferida da minha cadela tornou-se ausente para tantos que dele necessitavam. A arca do Noé, toda repleta, deve ser a sua vizinhança mais próxima nas alturas.
Quando cheguei ao velório, movimentado como se de rico fosse, já haviam fechado a tampa, mais ainda ouvi a história de que, há bem pouco tempo, aquele homem só, havia encontrado num garoto a possibilidade de ser seu filho. Pediu exames e comprovou. Pouca herança fica, mas uma riqueza sem fim de bons exemplos e humildade.
Até a eternidade, Alaor dos Humanos!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Toda imagem merece algumas palavras

FIGURA UM E FIGURA DOIS


                 
            Reza a lenda que uma imagem vale por mil palavras e, certa vez, em homenagem ao Dia do Fotógrafo, baseado então numa só imagem, escrevi um texto com mais de mil palavras. Comprovei então que pode valer por mais de mil palavras, mas seriam todas verdadeiras? Nem sempre a imagem reflete o que se imagina à primeira vista.
            A primeira imagem, típica do interior, pode revelar a famosa fofoqueira ou bisbilhoteira que está sempre à janela tomando conta do que se passa, mas no caso presente é uma distinta dama da sociedade vinculada a entidades caritativas e da prática intensa da religiosidade. Alguém que, como vizinha, ultrapassa todas as perspectivas do bom relacionamento e do bem servir, sendo mãos que ajudam e afagam, lábios que orientam e suplicam.
            O que levou nossa personagem para a janela, atabalhoada de afazeres, foi uma manifestação de Congada na casa da vizinha protegida. A Congada é uma dança teatral religiosa em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. Aparentemente sem ritmo, parecendo mais uma batucada desconexa, arrasta uma multidão e é a estrela maior da Quermesse. Gente simples trajada como nobres fidalgos e com galões de generais. A falta de dentes em alguns deles não impede os dançarinos de entoar, a plenos pulmões, cânticos de louvor verdadeiro oriundos de uma devoção do fundo do coração.



            As roupas, confeccionadas com exclusividade para a ocasião, reluzem e a bandeira tremula o amor materno celestial. Há ainda cavalgadas e outras homenagens que se ajuntam aos festejos de uma semana, encerrando-se numa procissão gigantesca, sendo até decretado feriado municipal.
Além de Nossa Senhora, os santos negros, Efigênia e Benedito, são aclamados. Ao que parece uma turba de pobres ufanos, a figura dois nos mostra um jovem de cútis clara onde reside a mesma fé. Trata-se de um adorador desde criancinha, professor universitário e doutorando em ciências médicas. Ele é o segundo capitão deste Terno de Congada e, esteja onde estiver, nesta época, é como o judeu que sobe à Jerusalém para a festa.

Imagem não é tudo, mas ornadas com algumas palavras ao rodapé, não precisam ser milhares, ratifica-se toda a beleza e veracidade.