domingo, 27 de julho de 2014

Eu vos deixo a paz...



“Onde houver ofensa que eu leve o perdão”

Durante quase toda a minha vida literária escrevi para poucos. Uma ou outra crônica encontrou espaço em jornais e revistas que se perderam com os ovos da feira ou foram debulhados em banheiros públicos. Hoje a tela é porta de banheiro onde se publica de tudo.
Minha diversão principal infanto-juvenil era ler. Devorei muitos compêndios ecléticos, sem dizer que, na prática, escrevia certo minha história por ruas tortas. Escrevi muito. O nome que davam eram composições e então compus muito. Escrever é uma arte maldita. Ainda hoje é uma profissão, como a de prostituta, que não foi reconhecida. Os escritores se esparramam pelo chão.
A interpretação do que se escreve é que são elas, tanto que se divergem religiões oriundas de um mesmo texto ou caminho, vida e verdade. Certa vez um texto de Mário Prata foi incluído pelo Ministério da Educação em um concurso de validação médica e, o próprio Mario Prata, deu versões diferentes do gabarito, tirou zero.
Hoje temos blogs, flogs, facebook e tantos inúmeros instrumentos para se propagar ideias, fatos, uma história, porém, esta facilidade, nos tem inundado com um besteirol sem tamanho, ainda que esquecendo-se os erros crassos portugueses, aventando-se apenas nas mensagens pueris.
Opiniões descabidas e fomentadoras de objetivos insanos são absorvidas como algo verdadeiro e inquestionável porque ainda, segundo Tomas Hobbes, o homem é o lobo do próprio homem.
A propósito um dedo médio em riste não é para que todos nós tenhamos prazeres sexuais, mas que todos os tipos de males nos acometam... Ou não?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Devorando poesia



FILÉ À PARMEGIANA  PARA OITO PESSOAS



Vou rimar agora uma receita
Pra Mama Rita Linda Italiana.
É uma comida bem aceita
O tal de Filé à Parmegiana!

Limpe bem toda a peça
Sem deixar qualquer nervura,
Ficará macio à beça,
Será pura gostosura!

Faça os bifes à milanesa,
Não precisam ser bem fritos
Reserve num canto da mesa
E faça então o molhito.

Serão três litros de molho
Com três cebolas refogadas
Dez tomates sem miolo,
Sal do jeito que agrada.

Duas latas de ervilhas
E de milho assim também,
Antes que se fervilha
Extrato de tomate vai bem.


Ponha água e um pouco aguarde
Para entrar azeitona sem caroço
Você escolhe a quantidade,
Mas o caldo tem que ser grosso.

Em dois médios refratários
Cubra bem com o milanesa.
Ponha nosso molho culinário
E no forno a chama acesa.

O suco vai acima dos bifes
Quando entra o presunto,
Mussarela de grife.
E fio de azeite junto.

Cubra tudo com o molho,
Leve ao forno bem quente
Vinte minutos e fique de olho,
Borbulhou pega pra gente.

Acompanha um arroz branco
E talvez uma salada,
Mas para ser franco,

Parmegiana e mais nada!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A todos os órfãos, principalmente o Antonio Marcos



Novo endereço

Meu amigo, as leis naturais cumprem-se nos tempos devidos. É de grande apreço este desejo em querer burlá-las, mas o bem maior é o propósito.
Pessoas tão distintas que dedicaram a nós, por pleno amor tão somente, todo o seu tempo, conhecimento ou virtudes, não deveriam partir assim tão de repente,
após quase oito décadas de bons serviços prestados. A impotência nos põe para refletir no que poderíamos ter feito para prolongar os dias do ser tão querido.
Nada, apenas ter correspondido ao zelo dedicado já lhes terão garantido uma ascensão mais tranquila na eterna viagem.
Filhos, como você e suas irmãs, são passaportes carimbados de uma missão tão grandemente cumprida de povoar a terra com o bom fruto.
Seu Antônio e Dona Teresinha, nunca sós, expressões confirmadas de humildade, caráter, trabalho profícuo e boa-vontade, agora diante à família espiritual,
não estão em brancas nuvens, mas no labor onde o cansaço, a dor ou a descrença não fazem guarida contra a evolução e o progresso, tesouros que traças não comem.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Mês da Mulher



SER HUMANO E SER MULHER

Existe o ser humano e o ser mulher. Ser humano é aquele que busca o amor pelo caminho e ser mulher é aquele que distribui amor pelo caminho. O ser mulher é a evolução do ser humano, causa e efeito. Existem mulheres que ainda são seres humanos, mas no mais alto grau de transição, de um estado sólido para um etéreo. Numa linha de produção, o último produto é aquele que contém todo o acabamento fino, a tecnologia, o avanço e a proximidade da perfeição para o fim que se destina. A mulher é o extremo controle de qualidade da fábrica Divina e o Criador se deu por satisfeito e foi descansar, porque a mulher, osso duro da costela teve uma pitada de carne de pescoço. Quando li no Grande Livro o homem exclamando que a mulher era carne de sua carne e ossos dos seus ossos, eu cri que Deus arrancou a costela e fez os ossos e a carne foi retirada das cavidades do nosso coração, por isto que temos um vazio no coração que só a mulher pode preencher.
Esta soberana, desde as cavernas, paraíso ou inferno, vem moldando o mundo para um céu com o seu jeito de ser. Sempre soube ser mãe, sempre soube ser filha, sempre soube ser paciente, sempre soube ser bela, sempre soube contemplar com gestos mais simples que lhes arrancam dois rios de água salgada que saem e voltam para o coração.
As mulheres tornaram se estadistas e continuam “amélias”. Dizem que o melhor lugar para as mulheres é o tanque, o fogão ou a cama, mas o melhor lugar é onde elas estiverem. Deixou o lar, mas nunca o faria se a insatisfação ou necessidade não arrombasse sua porta.
Talvez o principal ingrediente desta formulação de ser mulher seja o gênero fêmea, porque os animais mais simples que nos cercam denotam características gêmeas da mulher, como a galinha choca, a vaca parida ou a coruja. Se quisermos conquistar alguém o caminho mais curto é conquistar a mãe desse alguém.
A mulher é um tesouro a céu aberto, cristalino que muitos não enxergam. É um livro de enigmas fáceis do começo ao fim e nós animalescos nos perdemos num Ponto Gê. Mesmo perdidos nos damos por satisfeitos até procurar novamente.
Quem faz toda a leitura é como passar por debaixo do arco-íris da nossa infância e estará pronto pra ser mulher, um pote de ouro.
Existe um dia para a mulher. Existe um mês para a mulher. Talvez nove meses não seja o suficiente e, as bobas, contentam-se com um instante.
Sou mais um fracassado na arte de expressar a mulher e jogarei a culpa na falta de tempo, tendo toda a eternidade.

sábado, 7 de dezembro de 2013

EU SOU FUBÁ



Prato de comida

Por um prato de comida,
Deixa-se a terra natal,
Na Araguari prometida
A fome iria se dar mal.

De nove, os três pequenos,
Por um prato de comida,
Provariam do veneno
De uma avó sempre mordida.

Era um de dura lida,
Não sabia o que fazia,
Por um prato de comida
A Vódrasta obedecia.

Pra trás ficaram três,
Com a fome ainda ardida,
“Ponham pouco todos vocês,
O prato é raso de comida.”

Por um prato de comida,
Mal se quis à avara avó.
Sara então esta ferida,
Jesus desmancha este nó.

Na cidade Sorriso,
Por um prato de comida,
Fazer de tudo foi preciso,
Toda a família investida.

Uns à toa na torcida,
Ficavam de boca aberta,
Por um prato de comida,
Avançavam sempre alertas.

O pai com mínimo salário,
Invernou-se na bebida.
Partiu com meio centenário
E rareou o prato de comida.

Por um prato de comida,
A mãe com outro se ajuntou
E os filhos na repartida,
Com a filha mais velha ficou.

Abandona-se então a escola,
Pra ganhar o prato de comida,
O que o mundo mais esfola
É a fome sem medida.

A Lei de Deus foi cumprida,
Com pranto suor do rosto,
Teve –se o prato de comida
Recheado a todo gosto.

Quando a fome aperta
Troca-se por uma jazida.
Simples mingau de fubá
Vira o melhor prato de comida.

Boia fria como prato de comida,
Desce bem no agricultor.
No restaurante é sortida,
Mas que pesa na hora de por.

No quartel vai-se engajar,
Por um bandejão de comida.
Sobre o estômago a marchar
Assim é nossa vida.

Um menu de boa pedida,
Pra não ter mais sede e fome,
É encontrar a verdadeira comida,
O Poço que abastece os homens.

O Prato Nosso de cada dia,
Merece uma boa esculpida,
De suor, lágrimas e alegria
De uma alma agradecida!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mengo, há quem não Aprov.




REGATAS

Teve um tempo que só se ouvia futebol pelo rádio e, neste tempo, eu ganhei uma camiseta do Cruzeiro, coisa simples, mas que meus coleguinhas babavam principalmente os do time sem camisa. Todos, inclusive eu, pobres um tanto e não sabíamos devido a uma felicidade gratuita.
Aquela camisa azul era envergada por grandes nomes como Dirceu Lopes, Nelinho, Tostão e o goleiro Raul em princípio de carreira, mas eu ainda não era torcedor. A bendita TV Globo, ainda em preto e branco chuviscado, começou a transmitir o futebol carioca e o paulista. A sardinha puxada para a brasa do carioca desde o sempre.
Devemos muito à Globo e sua telinha maravilhosa que nos trouxe o circo, o espetáculo, o mundo... Um idealismo pode se transformar num capitalismo para sobreviver, por isto uma corrente de intelectuais difamam a Rede Globo, mas é a selvageria dos ricos negócios que maculam mandatário, atletas e tevês.
Então com a TV eu vi o Flamengo. Havia um driblador esculachado que me chamou a atenção – Paulo César Caju. Sempre gostei do esculacho, mas depois dele veio o Zico e toda esta história onda do Clube de Regatas Flamengo.
Fui ao Maracanã na última conquista. Não sou mais aquele menino pobre, mas não posso me dar ao luxo de sair do interior goiano para simplesmente ver o Mengo a mil e duzentos quilômetros. Consegui um passageiro para dividir comigo as despesas de combustível e pedágios.
Meu filho terminou um curso militar coincidente com o jogo e fui à sua formatura. Matar dois coelhos com uma cajadada e ainda levei um cartaz de cunho político para lançar um protesto sobre o executivo araguarino. Araguari é minha mãe adotiva.
Eu já morei no Rio em 82 e 91 e frequentei o velho Maracanã. Gostava mais dele que do atual. Futebol era de pessoas mais humildes, menos em alegria desdentada. Havia vendedores ambulantes de todo jeito e que entravam gratuitamente. Vendiam cervejas, água, amendoim torrado, geladão (nome do picolé), mate gelado e outros petiscos infantis. Hoje a polícia e guarda municipal confisca tudo, mesmo fora do Maraca. Cerveja, o principal combustível do torcedor, só na Copa do Mundo. Só o bilhete de entrada custou duzentos e cinquenta reais e o transporte até o estádio ainda é caótico aquele trem. Comprar ingressos pela internet democratizou e ampliou as vendas, mas tornou-se seleto também.
A torcida é uníssona, ainda que sem maestro aparente. No jogo da final iríamos vibrar muito com apenas o zero a zero, mas duas bolas com endereço certo carimbou a faixa e ficamos sem noção, tri-campeão, nunca poucos sempre roucos, multidão.
O novo Maracanã treme menos, pois não tem coração acelerado, bolso e bolsa. Nesta final da Copa do Brasil meu vocabulário só tinha a palavra Mengo enquanto que noutros dicionários curriculares omitem este povo, esta nação de vasto território e mares, cercada de inimigos por todos os lados.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Maitê Tética


PT SAUDAÇÕES

Maitê, a respeito da subjetividade conceitual que se recai sobre o Partido dos Trabalhadores eu não posso concordar, mas jamais impedi-la de flamular esta bandeira. Não é caso pessoal, mas coletivo. O PT nasceu dentro da Igreja e tem caminhado aparentemente sem Deus. Vai ver é porque ainda tem o Lula e brilha uma estrela lá lá, trá lá lá, tró ló ló. Não posso precisar desde quando tenham seguido esta estrela cadente, que cai.
Se hoje criticam os intelectuais é sabido aos quatro ventos que muitos desses foram seus generais. O PT não nos legou nada de novo às exceções da esperança que se eterniza e o fanatismo de correligionários marsupiais arraigados na teimosia. Estes que ora o nosso Supremo condena, muito brando por sinal as penas, haverão de perante a existência de Deus, em última instância, declararem-se inocentes e, em uníssono o grito de guerra: Eu não sabia.
Houve um tempo em que a palavra pacto foi amplamente difundida por este grupo e caiu em desuso sob a batuta deles no comando. Quando devíamos satisfações ao FMI, havia uma carta de intenções sociais que se concretizavam em grande parte por nossos soberanos. Hoje amargamos falácias das falsas promessas e compromissos de boca pra fora, sem que fiscal algum dê jeito. Mandatários dividem entre si fatias recheadas do bolo onde migalhas saltitam nas mesas dos demais.
Seu pai, dono de bar, tinha o costume de testar a honestidade dos funcionários deixando, como que distraidamente, uma nota sob uma garrafa de 51 e ficava observando, como uma águia, por sobre os óculos, isca e vítima. Petistas contentavam-se com a garrafa de 51, mas hoje também levam a nota.
O PT virou um time e os correligionários, são como torcedores de futebol. Pouco importa se o gol foi contra, se o juiz roubou ou se a sorte ajudou, mas o importante é o resultado. No fim arrotam superioridade e, nem que a vaca tussa, trocam de time.
Quando o Cristovam Buarque deixou o Partido, por exemplo, pensei que outros intelectuais o seguiriam, mas alguns “boffs” ficaram com o estigma da desculpa: Deus ainda está conosco!
Não me venha falar que outros partidos, como o PSDB, estejam contribuindo sorrateiramente para difamar o PT, pois todos são aproveitadores desde seus estatutos e derrocar o outro é o mandamento maior.
O PSDB também foi usuário de mensalões ou mensalinhos? Claro que foi. Isto é Brasil onde tudo começou com negociatas e escravidão. O certo é que o PT é a bola da vez e devemos concentrar nesta bola vermelha, como a sinuca, para depois encaçapar a azul, noutra tacada. Se fôssemos hábeis daríamos uma tacada só, mas falta giz até para nossos professores e o buraco é mais embaixo.