terça-feira, 10 de março de 2009

Luz na Câmara em ação



O Caminho das Goiandiras

Assisti a um capítulo muito bom de uma novela sem fim, como “Malhação, mas com um enredo que interfere diretamente no cotidiano da vida dos espectadores cidadãos...
Nove de março, segunda, fui à Reunião da Câmara de Goiandira. A sessão durou das 19h00 até as 22h30. Trabalharam a contento e não deixou também de ser espetaculoso.
Tal novela está engatinhando e perdi apenas dois capítulos iniciais. Não dá pra dizer ainda quem são os mocinhos e quem são os bandidos, porém verdadeiros artistas populares.
Pra entrar na Câmara a porta é estreita, mas uma vez lá dentro se é recompensado.
Assim que entrei contei os cento e vinte assentos destinados à platéia, mas naquela noite apenas seis foram ocupados, mas não durante todo o tempo: eu, o dono do Jornal “O Sudeste”, a mãe do vereador Professor Erick, o filho de um empresário e outros dois que misturavam política com futebol, pois ostentavam camisetas do Corinthians e Flamengo.
Falando nisso, dizem que política, religião e futebol não se misturam, mas conheci um padre prefeito que era flamenguista.
O anfitrião Pedro da Ambulância, vice-presidente da Casa, conduziu-me até um cafezinho logo após as boas-vindas. Também me emprestou uma esferográfica, talvez sem saber que tal objeto em minhas mãos pudesse se transformar numa arma poderosa contra ele próprio.
O relógio é mal colocado atrás das bandeiras do País, Município e Estado. O ar condicionado funciona muito bem, apesar de soprar as persianas verticais que vão e voltam produzindo ruídos que acabam por incomodar.
A reunião é prevista para início as 19h00, mas sempre se faz uso brasileiro dos quinze minutos oficiais de espera.
A reunião iniciou-se sem o PT, mas ainda chegaram a tempo do “set de gravação”.
A composição da mesa diretora foi feita e o Presidente Vino abriu os trabalhos com a oração do “Pai Nosso”, onde a galera pôde participar. Acho que a parte da reza “Perdoai as nossas ofensas” deveria ser repetida, ali, umas vinte vezes porque ofensas múltiplas são proferidas durante os debates, de maneiras sutis ou não.
Após a invocação do Pai Celestial foi feita a leitura da Ata da reunião anterior. Uma ata muito bem elaborada das atividades parlamentares, não sei se obra do Secretário Gilberto Leiteiro ou da funcionária Nice.
O que me chamou a atenção da reunião anterior relatada foi a falta justificada do Clodoaldo, a presença com fala de funcionário dos Correios e a nomeação de membros de duas Comissões, Constituição e Justiça e Orçamento e Finanças. Também de se admirar a quantidade de requerimentos oriundos do mais expressivo vereador da Casa – Antonio Raimundo Sobrinho, o Preguinho. É o campeão disparado em solicitações à Casa de reclames do povo.
A seguir deu-se a aprovação da Ata e iniciou-se, propriamente dito, o expediente, onde se discute e vota a pauta. Tal pauta não estava afixada em nenhum lugar que eu tenha identificado.
A primeira leitura tecida foi a respeito de explicações do Prefeito a respeito de criação de dez cargos comissionados para as Escolas Municipais.
Este assunto foi colocado em debate e tomou conta do maior tempo da noite. Clodoaldo, Líder do Governo e diretor de Escola, explanou sobre os problemas que se acarretaram, devido ao triplo aumento de matrículas e diminuição do quadro efetivo. Explicou que na busca da qualidade não se pode comprometer o desempenho e conquistas da escola diante um processo seletivo, uma vez que possuem as pessoas certas para tais funções e que nem seria interesse eleitoral haja vista serem profissionais de fora da cidade. Convidou a todos para visitar a Escola.
O estreante e candidato mais votado, Professor Erick, que auto se intitulou Líder da Oposição e do PT, opôs-se arduamente a tal propositura. Sempre de pé e com a Constituição empunhada bradou um conhecimento extremo da mesma e da lisura que deve ser todo um processo administrativo público. Esquentou os ânimos até com seu companheiro Zezinho Boaron, dono de três mandatos na Casa.
Acusou a administração da cidade e o próprio diretor Clodoaldo de não fazerem planejamento adequado e a trabalhar no improviso, bem como confinar as crianças. Fez convite irônico para que aprendessem administração no escritório do Deputado Rubens Otoni, do Partido dos Trabalhadores. Como o vereador Clodoaldo alegou estar muito cansado por acúmulo de funções na escola exortou-o a colocar o cargo de diretor num processo eletivo, onde reside o anseio da comunidade.
O segundo assunto, proposto por Preguinho, que passou com folga, foi a doação de um terreno de seiscentos metros quadrados à empresa Geotec, de propriedade de certo Dr Marcelo. Salienta-se que o filho estava em meio aos ouvintes. Tal empreendimento de cautela irá gerar empregos no município.
Teve vereador que até achou o terreno pequeno ao que foi explicado pelo autor que irão fazer apenas um pequeno escritório e o restante do terreno seria pátio de estacionamento de caminhões.
Quais empregos isto gera? Governos vivem doando terrenos a entidades, mas o inverso não ocorre. No caso do futuro lago de Goiandira quero ver os “donos” de o Centro Comunitário recusarem-se a receber por desapropriação.
O terceiro requerimento foi a respeito de aquisição de caminhão fumacê para o combate à dengue, também do Preguinho, mas outra redação foi dada, após relatos de Clodoaldo sobre a impossibilidade de tal ocorrência, uma vez que o número de casos no município é que torna tal possibilidade viável. O fumacê pode ocasionar lesões irremediáveis na flora e fauna, nas crianças e velhos. O pedido ficou direcionado então para drogas químicas que se utilizem em fossas.
Outro assunto discutido, autoria de Preguinho, foi a colocação de uma rotatória nas proximidades da Praça do Congo. O vereador Gilberto Leiteiro concorda com quebra-molas, mas acorreu sobre as características técnicas de tal rotatória que poderiam atrapalhar manobras de caminhões.
Deixaram a parte técnica para a Prefeitura afinal caminhoneiro é como o vento – só entra onde tem saída.
Outro assunto aprovado e bem explanado foi o item de Pedro da Ambulância com a criação, nos espaços públicos, de painéis culturais com artistas do município, particular cópia do Projeto “Galeria Aberta” de Goiânia.
Outro requerimento, autoria de Clodoaldo, objetivando um espaço para a Terceira Idade ganhou transtornos dantescos. Foi levantada por Erick que o grupo inicial de idosos foi repartido entre Turma do Gabino (Idosos) e Turma da Tia Elza (Duvidosos), mãe de Clodoaldo. Erick acha improvável que Tia Elza tenha sido reeleita por onze anos frente à Associação e que o Estatuto esteja de acordo com normas vigentes. Mais uma vez quis convencer a Clodoaldo a incentivar a mãe e promover uma eleição em moldes claros.
Outro assunto “preguento” discutido e aprovado foi em relação à colocação de dois bancos próximo à entrada do Banco do Brasil para atender a idosos.
Preguinho ainda apresentou à casa requerimento, que foi aprovado, sobre o fato de uma das torres de operadora de celular não ter sinalização noturna para afugentar aeronaves. Mal sabe ele que os grandes pilotos se arremetem contra as mesmas, quando em dificuldade, tendo em vista que as mesmas servem de amortecedor à uma queda.
Aconteceu uma segunda votação a respeito de empréstimo de um funcionário de carreira da Prefeitura ao Asilo e foi aprovada. Não sei por que o Erick não pediu vistas, como é seu costume, ou tenha pedido os balancetes da entidade para ver a real necessidade. Eu também faria questão de ver tais balancetes, pois tentei, como vicentino, durante um ano, ver tais balancetes e não consegui. O prefeito sempre ajudou o Asilo e o Presidente realmente tinha que subir no seu palanque de campanha.
Em segunda votação também foi aprovado a tão sonhada meia-entrada da plataforma de Erick. Falta trazer os shows...
O percentual de 6,48% foi ratificado como o índice de reajuste salarial e com a concordância a largos sorrisos do Sindicato dos Servidores.
Zezinho deu a notícia de ter sido eleito presidente da Associação de Moradores do Setor Primavera. Falou do interesse de ser mais que vereador, mas que o capital o impede de alçar o pretendido vôo político e que este poderá ser o seu último mandato.
Juninho deu-se como solidário a Clodoaldo nas alfinetadas oriundas de Erick, pois também tem muita consideração com dona Elza, mãe do parlamentar.
Foi aprovada uma homenagem com placa alusiva à data do Dia Internacional da Mulher à Secretária Nice, sem que também fosse comentada a efetiva participação da assistente judiciária no desenrolar dos trabalhos da casa. Tudo por iniciativa de Erick.
Erick ainda discorreu que, “nunca na história de Goiandira”, um Presidente fez tanto pela cidade. Ressaltou o valor repassado de seis milhões de reais e que o mesmo é um presidente municipalista. Uma pergunta atrevo-me a fazer: Quanto Goiandira teria repassado, nesse período, para a União? Eu, só de imposto de renda, repassei trinta mil reais e se, outras duzentas Pessoas Físicas goiandirenses fizeram o mesmo, já cobre esta quantia nunca dantes vistas. A respeito da história de Goiandira eu não conheço muito, mas o pouco que sei é que o Governo Militar mandou pra cá uma Companhia de Engenharia do Exército que ficou muitos anos por aqui fomentando o progresso. Construiu a ferrovia e ajudou na malha viária local, algo que com certeza supera estes tais dadivosos seis milhões. O Exército mandou pra cá, inclusive, aquele que seria o pai do distinto vereador, homem sem preço.
Numa avaliação da Casa, deixando de lado o Presidente Vino, que foi ótimo mediador e permitiu que os debates fossem até longe demais, coloco-os na seguinte classificação:
Oitavo lugar – o Jeto ou Geto, uma presença apagada, mas viva.
Sétimo lugar – Juninho, aparentava estar adoentado e insistia no voto apenas “SIM” ou “NÃO” sem demais comentários.
Sexto lugar – Gilberto Leiteiro, sempre dissertando e acorrendo, mas ainda inibido.
Quinto lugar – Pedro da Ambulância, eloqüente e participativo componente da mesa.
Quarto lugar – Preguinho, sempre firme e levando proposições simples ou “cabulosas” do povo à Casa do Povo. Vamos ver se dá sequência a tantos requerimentos.
Terceiro lugar – Zezinho Boaron que, apesar de esquerda, demonstra muita maturidade no trato polido da Política, teve um momento que, para repreender o companheiro Erick, perguntou-o se tomava leite de caixinha ou de vaca, mas Erick disse não tomar nenhum, certamente pra não anular o veneno que exala (grifo meu). A intenção da pergunta era mostrar que a Casa pudesse abrandar o que prescreve a Lei nua e crua determina para que o progresso possa passar.
Segundo lugar – Erick, porque na mistura ele é a pimenta. Pode suplantar o maior ídolo do PT porque tem estudo de sobra, ao contrário do outro. É arrojado e a todo instante determina que tal fato seja registrado em Ata. Podem tratá-lo como coadjuvante, mas porta-se como protagonista.
Primeiro lugar – Vereador Clodoaldo, culto, eloqüente, trabalhador, cortês. Talvez peca pelo exagero do primor, pois violino, balet, flauta doce ou “tae kwon do” não podem ser custeados com verbas públicas a não ser para o MST, pois eles podem necessitar da arte oriental pra executarem os objetivos do cultivo da terra.
Conclusão: A Casa de Leis de Goiandira está de parabéns e que, outros cidadãos, participem, pois o assunto é sério. Minhas opiniões não devem ser levadas a ferro e fogo, pois não passam de um mero ponto de vista. O trabalho é árduo e não dura apenas uma noite. Por mais longo que seja este texto ele não relatou tudo que ali aconteceu.
Os vereadores devem se inquietar diuturnamente para fazer uma cidade grandiosa, do tamanho do sonho de cada um, que certamente estará lá frente à tribuna avaliando seus eleitos.

1 comentários:

crispamebella disse...

Para uma cidade que até pouco tempo atrás alguns não puderam ser candidatos por não terem passado num ditado (não sei se é conversa também) Goiandira está de parabéns. Cuidado para não se engalfinhar também nesse jogo de interesses. Política é Polícia não se parecem só na maneira de escrever, mas tem muito em comum: "quem é honesto é no mínimo conivente".

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