quarta-feira, 4 de março de 2009

Atendendo pedido do Pai Gabriel

Conto uma lenda

Estou muito satisfeito com a escrivaninha doada pelo leitor Antonio Marcos de Paulo. Escrevia em mesas de cozinha assediado por plantas ornamentais e restos de comida. Tenho um defeito muito antigo, é dos tempos em que eu nem tinha o “Curso de Dactilographia”: só sei escrever à mão, quero dizer, na caneta e no papel. A cada linha vão surgindo setas e outras simbologias direcionando-me aos acréscimos textuais ou firulas literárias. É verdade que, a posterior, ao digitar no computador, surgem lapidações reti e rati – ficadoras (exemplo de firula literária), mas no borrão, aparentemente indecifrável, reside toda a arte aristeuniana (outra contribuição do Marcos).

Para difundir este Blog, que ainda não sei inserir imagens e tantas coisas (o etecetara assim fica mais chique), escrevi e-mails aos meus contatos e mensagens orkutianas, exortando-os (esta palavra eu aprendi com a tia Feliz) a lerem-me e postar comentários.

No contexto do convite ironizei que fazia crônicas por encomenda. Não é de ver que um gaiato, gente chegada mesmo, da família Silva com nome composto de profeta e arcanjo, me encomendou uma crônica? Deu-me ainda os seguintes tópicos para citar:

Terrorista italiano; advogado do terrorista; amigos do advogado; razão do asilo político e, como dica, orientou-me que o advogado do “cesare” é o mesmo que tirou certo molusco marítimo cefalópode, de tentáculos retráteis ágeis e escorregadios, anos oitenta, da cadeia militar.

Acho que este meu amigo anda vendo muito “os improváveis”, no Youtube. Deu-me o tema e disse: VALENDO.

Eu, sinceramente, sou um brasileiro desinformado ao extremo e não sei do que se trata, mas posso inventar, então, uma lenda. Tenho um irmão, ou seria pai, que está fazendo uma obra neste sentido, pois ele fez parte, como escrivão de inquérito em que aqueles “comunas miseráveis” eram arrolados.

Vamos satisfazê-lo de um modo ou de outro. Alerto que semelhanças com a vida real terá sido mera coincidência!

Era uma vez um país distante em que os direitos vassalos eram mínimos e o impacto da aceleração do crescimento era o máximo. A classe mandatária detinha o poder e a força, a comida e a dentadura, a tortura e a falta de retidão.

Aflorava neste mundo capitalista, de extrema direita repressora, um ideal trabalhista, pois o que falta ao empregado é tão somente o dinheiro do patrão e nada como uma invasão de terras para tomada do poder. A implantação de um sistema mais fraterno, de preferência com Deus de fora, é uma bandeira forte.

Estes ideais nasceram nos campus de iluminados que não eram nem trabalhadores, mas artistas, cantores, jornalistas e alguns milicos traíras, chamados desertores que o sistema não perdoou. O que possibilitou nos dias de hoje indenizações milionárias às famílias, através dos escritórios reunidos Casa Verde.

Um ideal genuíno não fosse um grande conto da carochinha.

Esse pessoal revolucionário talvez tenham feito um pacto de fidelidade eterna, de repente até com o diabo.

Precisava de dinheiro para implantar um sistema onde o dinheiro seria desnecessário, além de cativar a população, sua vanguarda popular.

A coisa tava russa e do oriente chegaram recursos iniciais de implantação de uma sociedade comuna.

Onde a coisa foi parar? Graças ao capital fácil, de investimento estrangeiro, compraram terras distantes, ao norte desabitado e transformaram-nas em centros de treinamentos dos revolucionários. Os mais aptos podiam tomar cuba e vodka nas fontes.

A coisa foi crescendo e o dinheiro diminuindo que tiveram que consegui-lo por conta própria.

Formaram então grupos patrióticos que tinham nobres missões: assaltar bancos, seqüestrar autoridades, explodir quartéis, roubar armas e “comer criancinhas”.

Eles eram valentes, mais preparados que a força terrestre nacional, mas após alguns embates com a contra-revolução desapareceram, mas com ideais ainda acesos por toda a vida.

Foi um bom momento para se asilar e receber apoio internacional para a acadêmica formação libertina. Unem-se os estudantes e os laços comuns permanecem no pós-doutorado. Quantos sociólogos ostentam diplomas oriundos de “souborno”, em France?

A verdade é que sofreram demais no estrangeiro... Mário Prata e Alexandre Ribondi que o digam. Saudades imensas da terra natal.

Um presidente “vacilão”, filho do comandante revolucinário de 32, fez a abertura dos portos, perdoou os exilados e abriram-se as portas para o sucesso, ou sucessão, aos devassos.

Onde já se viu? Hoje são ministros da casa, genros da justiça, serra sem fim...

Enquanto se aculturaram e aperfeiçoavam-se para o grande golpe, pois não desistem nunca, os partidos nacionais se multiplicaram para mascarar futuros integrantes de mesma cara.

Leva-se o dedo mínimo, mas fica o anel do poder. Falando nisto um sindicalista torna-se o centro dos investimentos comunistas, dos intelectuais e apoio romano apostólico.

Dívida é dívida, mas tem umas eternas. Este sindicalista pertencente ao mar do polvo ficou preso algumas horas, nos idos dos tempos de chumbo. Covardia, mas a Anistia rende-lhe uma mísera pensão de mais de dez salários mínimos mensais.

O advogado do diabo, chamado casa verde, o tirou da cadeia, aumentando a dívida.

O comunismo nunca acabou, está disperso como o joio e quer dominar o mundo, todo o bolo.

Toda causa de Casa Verde, deputado e presidente de partido, encontra foro privilegiado nos palácios. É um advogado com bilhões de reais, extorquidos do infinito Tesouro Nacional.

Os comunas em dificuldades nos fóruns internacionais encontram devolução de favores na pátria amada.

Os filhos desta mãe gentil serão felizes para sempre, em berço esplêndido.

Pra terminar, como moral da estória, pouco sei, mas este pouco me permite filosofar que não existe riqueza fora da esperteza.

1 comentários:

crispamebella disse...

Só uma correção. Se é que tenho altura para tal. A coincidência é tanta que no último parágrafo poderia ter sido escrito HIStória.

Postar um comentário