terça-feira, 4 de janeiro de 2011

NÃO FOI BIG-BANG – FOI CLIC



FOTO-GÊNESES

Antes do primeiro dia,
Um plano perfeito existia.
É claro que em negativo,
Mas projeto de um DEUS-VIVO!
A luz veio, em início de manobra,
Pra moldar toda a revelação,
Pois o universo da plural obra
Teria em seis dias conclusão.

FOTO-SÍNTESE

A semana objetiva assim focou:
Dia dois – águas, terra e firmamento.
Dia três – A semente ELE lançou.
Quarto encantamento – As estações do tempo!
No dia cinco, com farto e contínuo alimento,
Aves e peixes ganham movimento.
Em resumo, até então, como tudo Deus criou?
Com memória fotográfica ELE nada copiou!

FOTO-CÓPIA

Na manhã do sexto dia na arca estão
Espécimes de animais em exposição,
Mas a tarde quando brilha
Faz-se a maior das maravilhas:
Foi moldado, com as próprias mãos,
Do Grande Artista da Perfeição,
O que se chama auto-retrato:
É imagem e semelhança
Batizada de Adão.

FOTO-CARTA

DOMINGO – Desta feita, com a coleção perfeita,
O Benfeitor, pelo acervo, dá ao homem procuração.
Fá-lo herdeiro de tudo quanto há
E a Divina Ação seria contemplar!
Cheio de poses, o então procurador
Perdeu o filme, a sensibilidade e se enrolou.
Como Narciso, a criatura só a si fotografou.

OBRA-PRIMA-VERA

Restringindo-se à proposta primaveril
O tema central enquadra as flôres
Que se postam a gosto em setembro:
Em nuanças e cores mil.
Todos verão, no hemisfério, o florilégio.
Até cegos e apáticos: É aromático!
Escuta-se o floreio dos poetas,
Os apaixonados desabrocha em quimera.
Outra meta é o ar que refrigera.
Não tem jeito e arde no peito:
Pode cantar, é Primavera!
Crianças fazem colheitas
De rosinhas até mal feitas.
Garotinhos, com segurança,
Dão ramalhetes como lembretes
Do bem-me-quer e amor-perfeito.
E quantos querem copo-de-leite?

FLÔR-TÓGRAFO

Fotografar não é só desenhar com a luz:
É raptar a beleza, flagrar o momento,
Cessar o movimento, deter o tempo,
Dimensionar a alegria... É pura magia!
Fotógrafo é um floricultor
Que planta, sem cheiro, uma flor,
Mas com carinho e sem espinhos;
O tato aveludado não se sente,
Mas no retrato o visual é florescente;
De mentira, mas é prova da verdade!

P’ROSA

Qualquer um de nós,
Ao ler o nosso melhor livro do mundo
E encontrar nele uma pagela solta e seca,
Talvez com função marca-página,
E tal coisa receber o nome de pétala seca,
Teremos a certeza, em nossa imaginação,
De ali conter material suficiente
Pra escrever um outro livro ainda melhor.

FECHA-O-PANO

O papel do fotógrafo é irradiar luz e preservar; chega a ser divino quando deixa qualquer coisa na sua imagem e semelhança.

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