domingo, 16 de agosto de 2009

Escrevendo nos céus




ARAGUARICA

Estive em Araguari por seis dias e renovei minha alma. Amigos, há mais de trinta anos não vistos, desfilaram diante meus olhos. A maioria não obteve progresso algum, mas frutificaram descendentes.
Com algum tempo em Lan House coloquei coraçõezinhos de sobrinhas-netas em aceleração. É muito barato fazer brilhar olhinhos.
Minha mãe, oitentona, ainda não se acostumou às eternas dores corporais. Lembro-me de seus queixumes ainda antes dos quarenta. Acometida por diabetes não pode mais saborear o doce como vício. Suas articulações não permitem percorrer trajetórias fora do lar, então, com o meu pé-de-pneu, pude levá-la até uns parentes. Também pude levá-la às compras e, ao ver apenas dois frangos e um quilo de lingüiça, como a carne do mês, pra três pessoas adultas, tive que interferir no cardápio. É mais uma pensionista do INSS que fez empréstimo pra socorrer quem não devia. Ainda por cima paga aluguel tornando as despesas uma incógnita matemática.
As coisas ficaram mais difíceis pra ela quando, recentemente, saiu de casa o meu padrasto, um velho de 99 anos ainda sexualmente ativo, parece mentira. O salário dele ajudava, mas os irmãos vão segurar a peteca, muito embora ela tenha abandonado alguns para se amigar com ele, dentre os quais... Eu.
Também fui ao Aeroporto com algumas crianças assistir à Esquadrilha da Fumaça – a perfeição da ousadia. Mais cedo, no Napolitano, vi a tripulação almoçando e fiquei de queixo caído ao notar a juventude dos pilotos. Pensei tratar-se de veteranos da FAB.
Por falar em Napolitano tive que cumprimentar o Zezinho pelo estabelecimento impecável. Ali houve progresso apesar de ter usado as instalações de um cinema. Quando trabalhei com o Zezinho, a gente servia um tal de “montanha”, um apetitoso Prato Feito batizado assim por ele.
Passei rapidamente pelo Corujão e notei ali algum progresso, não tanto, mas suficiente. Obras de arte, pintadas por Maitê Sopranzetti, dão um fino trato à decoração do salão.
O que me impressionou mesmo foi conhecer o Aloísio, meu editor virtual do Jornal de Araguari, bem como os caninos que o cercam. O café da Sra Aloísio tem gosto de quero-mais, por isto que tripiti.
Perguntei para quando iríamos ter o Jornal de Araguari no papel e respondeu-me que já existe e, embora parado, pertence ao espólio do Deputado Raul Belém. Era do Aloísio e ele vendeu ao deputado. Um negócio insólito...
Era do Aloísio e a história da negociação é incrível. Diz ele que certa vez mandou um repórter até o político araguarino com algumas perguntas. Uma pergunta não agradou o deputado ao que mandou refazer a pergunta, de um modo muito diferente. O repórter, então, se retirou e cancelada foi a entrevista. Houve até murro na mesa.
O Aloísio, quando notificado, ligou para o deputado e, na conversa, sugeriu ao deputado para que fizesse um jornal e colocasse nele as perguntas que lhe fossem convenientes. Dito isto num tom ameaçador ao que o deputado disse que comprava o seu jornal. Aloísio pôs preço e o deputado pagou.
Um bom negócio da discórdia... by Araguari.

1 comentários:

Aloisio Nunes de Faria disse...

Negocião!

Esse foi um dos muitos desentendimentos que tive com o deputado, no campo político.

Mas depois, a paz foi restabelecida e vivemos em paz, até a sua morte prematura, em 2003.

Ele faz muita falta à nossa Araguari.

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