quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O filtro da vida



Compulsão para o bem

Quando estamos plenamente ativos o que mais desejamos é não ter obrigação alguma. No entanto, quando atingimos a situação de aposentado, ainda com alguma energia, procuramos muito o que fazer e acabam aparecendo alguma coisa. Haja criatividade, pois não podemos parar de produzir.
No meu caso eu cuido de plantas, cães, gatos e galináceos, tudo de estimação, além de algumas tarefas domésticas pra ficar sempre de bem com a cara metade. O melhor presente é ajudá-la na lida que nunca muda para a infeliz com o passar do tempo.
Ficar tecendo Crônicas, como esta, também é paliativo no consumo dos dias que restam.
Outro dia, minha sogra, na tarefa de recompletar a água do filtro de barro, acabou por derrubá-lo e danificá-lo o suficiente para por fim naquilo que se destinava.
Numa análise dos dados, vi que era possível adequá-lo à irrigação. Eu passei a colocar água em parte do filtro e deixá-la nos pés das plantas. Através da filtração, num período de aproximadamente cinco horas, o filtro secava. Depois disto demorou um pouco mais porque a vela vai sujando, inclusive de lodo. Então mudava de planta e este era um de meus passatempos preferidos e acabou por se tornar uma obrigação.
Eu olho para as árvores frutíferas de época e parece que todas querem ser as próximas, mas existe uma sequência e ninguém fura fila. A irrigação gota a gota leva o precioso líquido às profundezas das raízes.
Quando a gente se predispõe a fazer o bem, com certeza ele se irradia, podendo ficar até sem controle chegando a dimensões inimagináveis.
Este pedaço de filtro passou a servir a todos à sua volta. Passarinhos brincavam, gatos se contorciam para beber no fundo dele. Quando mudava de lugar a umidade no pé da planta se enchia de bichinhos de toda natureza. Até uma pequena cobra espreitava este paraíso.
A última inquilina que eu notei no filtro de barro foi uma perereca que se esbaldava toda faceira.
Agora uma só conclusão: Eu não sei ao todo quantos se utilizam desta minha atividade, inclusive animais de rua, pois o recipiente mágico vai para a árvore da calçada, mas não há mais como parar, seria fugir da responsabilidade que cativei.

1 comentários:

Aristeu disse...

No seu caso o seu bom coração não te deixa parar,e os animais e as plantas é que ganham com isso

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