quinta-feira, 29 de abril de 2010

Várias fonéticas e grafias de "tensção"


Grande Tê

Tem doente e tem são,
Da fábrica e do artesão,
É de fácil obtenção...
Grande Tê é um tesão!

Não tenho a pretensão
De dar choque sem tensão,
Não sou nenhum cortesão,
Por detrás há intenção!

Há no corpo intensão,
Venha ver a extensão,
Mas sofre de hipertensão
E pára pra manutenção!

Relaxada a distensão,
Coloque na detenção,
Esta é a nossa tenção,
Pois usou a retenção.

Faltou abstenção,
Uma gula em retensão,
Direito de contensão,
Mas não foi desatenção!

Aventura perigosa


Um dia amante

Procure uma mulher
Bem da Amélia avessa!
Tenha o que tiver
Menos dor de cabeça!

Que lhe diga sempre sim
E jamais inaugure a seca!
Que ponha aos males fim
A começar pela enxaqueca!

Não precisa ser rainha
Muito menos condessa!
Não precisa andar na linha
Bem melhor se mais travessa!

Não precisa ser cozinheira
Mas que seja uma atriz!
Disposta a noite inteira
A mais baixa meretriz!

Tem que ter nome de guerra
Como, por exemplo, Vanessa.
Faça o paraíso na Terra
E que o varão enlouqueça!

Mil desculpas e cansaço
Expulsos do seu dicionário.
Que deixe bambos seus passos
E te jogue no armário!

Que o marido se ausente
Com frequência acentuada
E que você seja presente
Em cada fria madrugada!

Solteira perde a emoção
E o perigo não escolta.
O negócio é ser Ricardão
Surpreendido na volta

Este é um grande tesouro
Que pode não valer a pena,
Pois uma chifrada do touro
Acaba a alegria terrena!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Planeta de Provas


“PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER”

Estou no planeta terra,
Um rincão abandonado,
Pouca paz e muita guerra,
Onde se diz civilizado!

Muita fome, muita enchente,
Muitos fartos, muitas secas,
Abortos de minha gente,
Pouca terra e muita cêrca.

Homem com homem não dá lobisomem,
Mulher com mulher não dá jacaré,
Uns aos outros se consomem...
É evolução ou não é?

O calor tá aumentando,
A geleira está descendo,
Crescem mares e oceanos,
Mas meu Deus eu não aprendo.

Num dilúvio de pecados
Surge o fogo da geena.
Não há arca, nem ilhados,
Uma cena de dar pena!

Vai ficar tudo deserto,
Sem oásis, sem miragem...
Meu DNA encoberto,
Sem direito à clonagem...

Esta viagem maluca,
Sem paradas e sem destino,
É uma grande arapuca
E me sinto o assassino!

Cadê Deus? Qualé a tua?
Livre-arbítrio é um fracasso.
“Pega nóis” e senta a pua
Pra gente acertar o passo...

domingo, 25 de abril de 2010

Voto declarado?


Querer mais, ter mais, poder mais

Lula guru, presidente e profeta
Coloca como sua sucessora - Dilma.
Pode mais que o filho de analfabeta?
Então por quê seu passado não se filma?

Ao encarregado da PT-Campanha
Pede mais atenção com a internet.
Neste virtual campo ele mais apanha
Sendo sempre a pior manchete.

Pode mais, quer mais e tem mais
Pra mostrar no site ou no portal
Como navegante atracado no cais
Vê afundando a sua nau capital.

Criar comunidade em que se discute
A companheira terna e angelical guerrilheira
É desacreditar mais do pessoal do Orkut
E abusar da fraca memória brasileira.

Querer se enturmar no Facebook
Ou se postar no Twitter como boa-nova.
Haverá quem sabe mais e que retruque
Cavando ali então a própria cova.

Gritar "Tancredo" com o neto adversário
É homenagem no túmulo do absurdo
É a fome muito mais que o salário
É o nada tendo a véspera como tudo.

Vai também tomar no Blogue
E muito mais no "EME ESSE ENE"
Que o PAC não mais prorrogue
Nenhum tipo deste gene...

Quem mata a sede da conexão
Vive bem com qualquer mandatário,
Mas quem tem mais pé-no-chão
Tem mais poder censitário!

O maior problema nesse porém
E que conta pontos a favor
É que o Bolsa-Ninguém
Mata a fome, sim senhor!

sábado, 24 de abril de 2010

Aonde reina agora?


REGINA VOLPATO

É canção e poema natos...
Rima com heroína de tato,
Divina no aparato,
Bailarina que arremato,
Menina-moça de fato
É a Regina volpato!

Regina quer dizer serpente,
Mas também quer dizer rainha,
Qualquer coisa que se invente,
Volpato é dona da telinha!

Num horário competitivo
Reina firme a soberana.
Programa que atrativo
Sobre a vida cotidiana!

Casos de Família vai ao ar
Pra indicar soluções,
E consegue arrancar
Mazelas dos corações.

É sutil a apresentadora
E confiança desperta,
Não é mais uma loura:
É a pessoa certa.

Uma dama sem igual,
Uma risada sincera,
Nas desavenças é o sal
E nervosos refrigera.

Uma voz aveludada,
Um olhar animador,
Parece conto de fada
Pondo na vida mais cor!

Fico chateado o dia
Que não a vejo na tela
Após o horário da “Ave Maria”
Pra mim é a coisa mais bela!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sabor e arte ou saborear-te?


PICA PACU E FAZ CALDO

Existe um caldo de peixe
Qu'eu bebo pra chuchu.
Não há quem se queixe
Dum quente caldo de pacu!

Sem medo: Vá tomar pacu.
Só com ele desce redondo.
Dá pra engolir até sapo cururu
Se for pacu jamais me escondo!

Tomo outros só pra comparar.
Eu já tomei até pirarucu.
Não são ruins dão pra encarar.
Mas, recomendo: Vá tomar pacu!

É par perfeito com a pinga Pitu,
Não combina com rodoviária federal.
Não mande o guarda tomar pacu
Que isto gera efeito colateral!

Ninguém nasceu pra ficar depressivo
E se o desânimo te deixa jururu
Beba um copo de aperitivo,
Mas o principal é tomar pacu.

Quem intera também com pacu
E vai aumentando a fortaleza
É a crioula forte caracu
Presente no balcão e na mesa!

Nesta receita tenho medo
De ser chamado de guru,
Pois corta muito os dedos
Quando se pica pacu!

Sou da turma do cupuaçu.
Se o peixe morre eu lamento
Inda bem qu'eu não fui feito pacu
E com sucozinho sustento!

Quem quiser continuar
E não só ficar de peru.
Pode experimentar rimar
Com um pequeno menu:

Belzebu - urutu - tabu - vodu
Jacu - baú - tutu - baiacu
Nu - tatu - bambu - angu
Mandacaru - abaju - urucu

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Doce pesquisa


Cada poesia tem uma história além dos versos apresentados. Estes versos foram feitos sob medida à uma doce amiga. Ela, em monografia de Doutorado em Biologia, precisava de incentivo. Ela tentava domesticar a árvore do cerrado para torná-la cultivável na agro-indústria. Fui testemunha das noites mal dormidas e também mal acordados. Ela conseguiu seu intento ajudada por amiguinhas bactérias, às quais apelidei de Donas Quitérias.

Araticum

Cai a noite e aranha assanha
Estende a teia e aguarda a ceia,
Por certo insetos ela apanha,
Pois o araticunzeiro vira uma aldeia.
Um mundo à parte que destarte
Lança na vizinhança perfume de sedução.
Esquentam-se as flores, ardem amores
E vira uma festa – A reprodução!
Sob o luar, desde a eternidade,
A pinha do cerrado é o lugar com tudo
De se alimentar e polaridade,
Mas é projeto e objeto de estudo!
O seu genoma ímpar e servil
Com seu aroma presente e forte
Renoma doutores em sabores mil
Por ser mais que versátil e de porte.
O fruto, a polpa, a baga, as folhas,
Em absoluto não se poupam escolhas!
É uma mina – É vitamina ou uma batida
Sendo como Cristo – comida e bebida!