terça-feira, 2 de julho de 2013

A messe é grande



TRABALHADORES, ONDE ESTÃO?



Fechem os olhos, por favor.
Fazer silêncio é oração,
Na seara do amor,
Trabalhadores, onde estão?

Ouça bem cada palestra,
Pois a verdade não se esconde.
O Servir é mola mestra,
Trabalhadores estão onde?

O Estudo é entendimento
Das causas das nossas dores,
Mas também é alimento
Onde estão trabalhadores.





O acolhimento fraterno
É dever do Coração.
Se a vida é frio inverno,
Trabalhadores, onde estão?

Culto no lar ao acamado,
Pegue carona neste bonde,
Não há alimento sem arado,
Trabalhadores estão onde?

Passe adiante e oração,
A água contra as mil dores,
Toda a nossa evolução
É cruz de trabalhadores.


sábado, 29 de junho de 2013

Aqui e Ali Jaz


EDSON FRANCISCO PEREIRA


Chega um momento da nossa vida que sentimos a nossa realidade tão efêmera e principiada de fins. Amigos da nossa faixa etária começam a partir do campo material. O Edson Francisco Pereira, quando muito, tinha três anos a mais que eu. Esta sua partida aparentemente precoce está voltada a uma deficiência leucêmica, xeque vital ainda longe de recursos médicos ou financeiros do nosso mundo. Atuou e, como dizíamos no meio militar, e Espírita sempre: Missão cumprida.
       Naquele tempo que estávamos juntos éramos tão próximos que ele e esposa, distinto casal uma só carne, transformaram-se em padrinhos de um dos nossos dois filhos. Quantos afilhados deixou? Todos os conhecidos queriam nesta condição de quase parentes próximos ou mais.
       Nosso palco, de maior temporada, foi Brasília e o nosso cenário se desenvolvia na Asa Norte. Do meu apartamento funcional se avistava o deles, ao ponto de as comadres combinarem de que, quando uma colocasse uma fralda de uma das crianças na janela, era pra que a outra fosse visitar a uma. Eles também tiveram apenas duas crianças como nós.
       Éramos jogadores de canastra que avançávamos as madrugadas. Embora da mesma graduação militar, o Edson que, além de abocanhar um pequeno espólio de herança, sempre soube fazer bons negócios, o contrário de mim, um mero consumidor, fadado a não comerciar com lucro.
       O Exército nos separou neste País Continental, mas, ainda assim, mesmo com pouca presença física, nutrimos uma comunicação quase que escassa, porém de muita estima e admiração.
       O último presente pessoal que recebi dele foi um livro de romance espírita onde se desvendava a vida além daqui. Que ele esteja trilhando por estes caminhos do Pai que ele sempre acreditou ladrilhar.

       Certa vez alguém queria chamá-lo de Sargento Pincel, aquele personagem dos Trapalhões, e o chamou de Sargento Pastel, coisa que jamais aliviei e esta nova alcunha sempre fora utilizada por mim. Então digo-lhe: Sargento Pastel, sovado pela vida, que trilhou caminho apertado do cilindro, alegrado pelo caldo de cana, parecendo um sorriso frito crocante, sem a sua carne fica um vazio na massa. Siga em Paz, teu crédito é grande por aqui.

domingo, 26 de maio de 2013

Sobre o Primeiro de Abril?




DETECTOR DE MENTIRAS

Peguei o meu dicionário
Que pra mim nunca mentiu
Pra pesquisar os nomes vários
Da aniversariante do início de Abril!

Está presente o ano inteiro,
Um pouco em mim, mais em você,
Se for pra ganhar dinheiro
Na propaganda há de ter.

Dizem-na filha do Diabo
E é pecado venial.
É uma lábia com quiabo
Se der lucro é genial!

Saindo da boca do pescador
É lorota ou piada,
Mas do nosso governador
É só conversa fiada.

No Planalto tem projeto?
É falácia de plantão.
Se o deputado quer veto
Só o cala o mensalão.

Na criança bem novinha
O engano está presente.
É só uma mentirinha
Pra ficar obediente.

Noel e Coelho são trapaças,
Haja saco e haja ovo,
Também Circo, pão e cachaça:
Doce ilusão do meu povo.

O engodo é uma isca
Ou ausência da verdade?
Mentir qualquer um arrisca
E arrota fidelidade.

Pernas curtas tem a mentira?
Mas na internet está voando...
Enquanto o mundo gira
Mau caráter no comando.

“Diga que não estou”
É mentira inofensiva
E se pra quem procurou
Fosse última alternativa?

Vangloriar-se é tapeação,
Falsidade sem tamanho.
No Palanque da Eleição
A mentira dá um banho.

É embuste, burla e dolo,
Fraude, calúnia e logro...
Cai inteligente e cai tolo,
Cai a nora e o sogro!

Mentem filhos para os pais
E o empregado ao patrão,
Mentem muito os jornais,
Perdendo pra televisão.

Quem disser que não mente
Lança mão da hipocrisia.
É um erro comumente
Pão nosso de cada dia.

Em cada esquina uma oportunidade de amor.





Adote um amor... Adote um animal abandonado.

            Quando Deus, na manhã sexto dia, depois de tanto “Faça-se” ou “Façamos”, contemplava sua obra, resolveu, com um requinte de maior capricho, colocar a mão na massa e fazer sua obra-prima – O homem. Assim que homem e mulher foram feitos ele se deu por conclusa a sua parte e disse ao distinto casal: “- Tudo isto eu vos dou: as plantas, os animais... a natureza – Submetei-a.”
            Submeter, ao longo de nossa existência, tem sido explorar, comercializar, destruir... Fizemos tanto mal que agora parece quase que irreversível o equilíbrio da Natureza. Como Deus ainda não nos abandonou à própria governança tem plantado nas mentes e corações o amor pelo meio-ambiente, o verdadeiro submeter.
            Nesta caminhada de depredação, alguns amigos animais sempre lhe foram presentes e leais, no caso específico, encurtando, o cavalo e o cachorro. Quanto tempo próximo do homem, de dentro de casa e ainda são odiados, abandonados, maltratados. Submeter é cuidar.
            Todo animal abandonado, maltratado ou virado salame terá na, Eterna Justiça, a sua recompensa assim como os responsáveis apenados. Submeter é alimentar.
            Quem ama um animal acabará por amar também o próximo. É o nosso exercício diário. Submeter é progredir e melhorar.
            No perímetro urbano dirigir em velocidade baixa é uma declaração de amor aos desalojados. Colocar uma vasilha de água é tão necessário como o ar que respiramos. Não é pedir muito e aos poucos isto fará um bem enorme e a gente acaba por submeter, como o Cristo que deixou de ser Senhor para ser amigo e servir.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mães desafortunadas





DIA DAS MÃEDRASTRAS

            O ser humano é um projeto de Deus que tem tudo pra dar errado. Sua primeira concepção é que seja a obra-prima do Projetista, chegando a se definir como sua imagem e semelhança, quando não passa de um rascunho ou esboço feito em fim de expediente e que, o dia seguinte, seriam as férias do Criador.
            Bajulamos muito as mães e as mesmas são as principais responsáveis pelo péssimo acabamento deste ser autodenominado de humano. Ser mãe não é apenas gerar filhos, é criá-los, amá-los, educá-los e dar-lhes um norte para um mundo melhor. Se for mãe de verdade não precisa ser mais nada. A mãe, grande parte, saiu de casa como guerreira na tentativa de cobrir o erro da escolha feita do seu reprodutor e ficaram os filhos a Deus dará e mercê do inimigo.
            Minha mãe era uma guerreira, inclusive, por não verificar a frequência no boteco, nos arrumou um pai cachaceiro e destruidor de patrimônio. A desculpa é que não escolhiam os parceiros, mas e agora? Às vezes tenho impressão que quanto mais desclassificado ou aventureiro for o varão mais probabilidade ele terá de ser pai.
            Sou o sétimo de uma ninhada de nove que eram como frangotes que teriam que trabalhar como se fossem o dono do terreiro. Minha mãe foi aquela que, como o Governo, tirou dos filhos que trabalhavam para dar aos que “nunca” conseguiam emprego, de jeito nenhum por conveniência.
            Tem mãe que joga filho pela janela por causa de homem e, na falta do meu ébrio pai, tive que ir ciscar no mundo. Não sei como não me perdi mais ainda neste labirinto de oportunidades múltiplas de erros.
            Certa vez foi publicado, em pleno Dia das Mães, como desabafo meu no jornal Correio Braziliense, a seguinte frase: “Mãe, sinto muito, devo muito à senhora, mas devo mais na praça”. O Antonio Marcos nunca esqueceu isto, mas há um fundo de verdade nesta suposta brincadeira. A praça, a rua, o relento foram minha madrasta, acho que, por isto considero todos os deserdados como minha família.
O amor materno, salvas as exceções, está embutido em todo ser e mãe nãoé, pois, privilégio dos humanos. A genitora está destinada a amar e proteger até com o sacrifício da própria vida, tendo parido ou dado à luz. A mãe onça ou a vaca parida ou a galinha choca são todas mães corujas. As mães dos animais, ditos irracionais, a certa altura, parecem desprezar os filhotes, mas nada mais é do que entregá-lo ao mundo e suas vicissitudes, foi o que aconteceu comigo... Talvez não seja a atitude politicamente correta, abominável para tantos, mas no caso específico, acredito ter sido fundamental para minha evolução. Parabéns e obrigado, mãe e também à Praça Manoel Bonito.

domingo, 21 de abril de 2013

Comentemos uns aos outros





Facebookudo

Talvez hoje um dos maiores direitos humanos seja o acesso à Internet. A partir deste direito todos os outros vão sendo esclarecidos. A voz do povo tem no Facebook seus lábios que não calam, dia e noite. Neste instrumento peculiar nossa coragem aumenta, a autoestima se eleva, a inteligência se aguça, o riso é farto e os governantes despencam em conceito geral, além de não ter desculpa para esquecimento de aniversários.
            A informação, poder sem controle, transforma nossa vida pacata numa tsunami. Eu sinto necessidade principalmente do Facebook. Meus amigos assim são mais presentes e também rola um trabalho social que é a tônica do meu existir.
            Às vezes incomodo porque tantos têm uma visão equivocada do mundo que os cercam e não têm a sensibilidade de se curvarem a um ensinamento fora de sala de aula, ainda mais de um professor desconhecido e virtual. É um perigo, por menor que seja, confrontar convicções de facebookinianos.
            Eu tenho aprendido muito e, sem egoísmo algum, reparto o que posto. Todos tem algo a repartir. O dom de cada um, chamado talento, é a ferramenta que o céu nos deu para semearmos a paz e a justiça.
            No Facebook da vida todos querem vender o seu peixe ou defender seus interesses, pois o preço é barato da circulação do recado. Alguns poucos defendem o Pastor Deputado Feliciano e eu não tenho muito disposição para defender quaisquer políticos eleitos. Defendemos gays, mas eu acho os mesmos também auto-suficientes, pois na maioria são, no mínimo, ícones nas suas atividades profissionais e portadores de argumentos detonantes.
            Eu costumo defender, inclusive e preferencialmente, na vida real ou não, os famintos de comida, os de passos cambaleantes e abraços trêmulos, a natureza que toma sem reação, os animais em abandono, a vida indefesa, a água envenenada, o rosto sem sorriso, a lágrima que brota...