domingo, 26 de maio de 2013

Em cada esquina uma oportunidade de amor.





Adote um amor... Adote um animal abandonado.

            Quando Deus, na manhã sexto dia, depois de tanto “Faça-se” ou “Façamos”, contemplava sua obra, resolveu, com um requinte de maior capricho, colocar a mão na massa e fazer sua obra-prima – O homem. Assim que homem e mulher foram feitos ele se deu por conclusa a sua parte e disse ao distinto casal: “- Tudo isto eu vos dou: as plantas, os animais... a natureza – Submetei-a.”
            Submeter, ao longo de nossa existência, tem sido explorar, comercializar, destruir... Fizemos tanto mal que agora parece quase que irreversível o equilíbrio da Natureza. Como Deus ainda não nos abandonou à própria governança tem plantado nas mentes e corações o amor pelo meio-ambiente, o verdadeiro submeter.
            Nesta caminhada de depredação, alguns amigos animais sempre lhe foram presentes e leais, no caso específico, encurtando, o cavalo e o cachorro. Quanto tempo próximo do homem, de dentro de casa e ainda são odiados, abandonados, maltratados. Submeter é cuidar.
            Todo animal abandonado, maltratado ou virado salame terá na, Eterna Justiça, a sua recompensa assim como os responsáveis apenados. Submeter é alimentar.
            Quem ama um animal acabará por amar também o próximo. É o nosso exercício diário. Submeter é progredir e melhorar.
            No perímetro urbano dirigir em velocidade baixa é uma declaração de amor aos desalojados. Colocar uma vasilha de água é tão necessário como o ar que respiramos. Não é pedir muito e aos poucos isto fará um bem enorme e a gente acaba por submeter, como o Cristo que deixou de ser Senhor para ser amigo e servir.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mães desafortunadas





DIA DAS MÃEDRASTRAS

            O ser humano é um projeto de Deus que tem tudo pra dar errado. Sua primeira concepção é que seja a obra-prima do Projetista, chegando a se definir como sua imagem e semelhança, quando não passa de um rascunho ou esboço feito em fim de expediente e que, o dia seguinte, seriam as férias do Criador.
            Bajulamos muito as mães e as mesmas são as principais responsáveis pelo péssimo acabamento deste ser autodenominado de humano. Ser mãe não é apenas gerar filhos, é criá-los, amá-los, educá-los e dar-lhes um norte para um mundo melhor. Se for mãe de verdade não precisa ser mais nada. A mãe, grande parte, saiu de casa como guerreira na tentativa de cobrir o erro da escolha feita do seu reprodutor e ficaram os filhos a Deus dará e mercê do inimigo.
            Minha mãe era uma guerreira, inclusive, por não verificar a frequência no boteco, nos arrumou um pai cachaceiro e destruidor de patrimônio. A desculpa é que não escolhiam os parceiros, mas e agora? Às vezes tenho impressão que quanto mais desclassificado ou aventureiro for o varão mais probabilidade ele terá de ser pai.
            Sou o sétimo de uma ninhada de nove que eram como frangotes que teriam que trabalhar como se fossem o dono do terreiro. Minha mãe foi aquela que, como o Governo, tirou dos filhos que trabalhavam para dar aos que “nunca” conseguiam emprego, de jeito nenhum por conveniência.
            Tem mãe que joga filho pela janela por causa de homem e, na falta do meu ébrio pai, tive que ir ciscar no mundo. Não sei como não me perdi mais ainda neste labirinto de oportunidades múltiplas de erros.
            Certa vez foi publicado, em pleno Dia das Mães, como desabafo meu no jornal Correio Braziliense, a seguinte frase: “Mãe, sinto muito, devo muito à senhora, mas devo mais na praça”. O Antonio Marcos nunca esqueceu isto, mas há um fundo de verdade nesta suposta brincadeira. A praça, a rua, o relento foram minha madrasta, acho que, por isto considero todos os deserdados como minha família.
O amor materno, salvas as exceções, está embutido em todo ser e mãe nãoé, pois, privilégio dos humanos. A genitora está destinada a amar e proteger até com o sacrifício da própria vida, tendo parido ou dado à luz. A mãe onça ou a vaca parida ou a galinha choca são todas mães corujas. As mães dos animais, ditos irracionais, a certa altura, parecem desprezar os filhotes, mas nada mais é do que entregá-lo ao mundo e suas vicissitudes, foi o que aconteceu comigo... Talvez não seja a atitude politicamente correta, abominável para tantos, mas no caso específico, acredito ter sido fundamental para minha evolução. Parabéns e obrigado, mãe e também à Praça Manoel Bonito.

domingo, 21 de abril de 2013

Comentemos uns aos outros





Facebookudo

Talvez hoje um dos maiores direitos humanos seja o acesso à Internet. A partir deste direito todos os outros vão sendo esclarecidos. A voz do povo tem no Facebook seus lábios que não calam, dia e noite. Neste instrumento peculiar nossa coragem aumenta, a autoestima se eleva, a inteligência se aguça, o riso é farto e os governantes despencam em conceito geral, além de não ter desculpa para esquecimento de aniversários.
            A informação, poder sem controle, transforma nossa vida pacata numa tsunami. Eu sinto necessidade principalmente do Facebook. Meus amigos assim são mais presentes e também rola um trabalho social que é a tônica do meu existir.
            Às vezes incomodo porque tantos têm uma visão equivocada do mundo que os cercam e não têm a sensibilidade de se curvarem a um ensinamento fora de sala de aula, ainda mais de um professor desconhecido e virtual. É um perigo, por menor que seja, confrontar convicções de facebookinianos.
            Eu tenho aprendido muito e, sem egoísmo algum, reparto o que posto. Todos tem algo a repartir. O dom de cada um, chamado talento, é a ferramenta que o céu nos deu para semearmos a paz e a justiça.
            No Facebook da vida todos querem vender o seu peixe ou defender seus interesses, pois o preço é barato da circulação do recado. Alguns poucos defendem o Pastor Deputado Feliciano e eu não tenho muito disposição para defender quaisquer políticos eleitos. Defendemos gays, mas eu acho os mesmos também auto-suficientes, pois na maioria são, no mínimo, ícones nas suas atividades profissionais e portadores de argumentos detonantes.
            Eu costumo defender, inclusive e preferencialmente, na vida real ou não, os famintos de comida, os de passos cambaleantes e abraços trêmulos, a natureza que toma sem reação, os animais em abandono, a vida indefesa, a água envenenada, o rosto sem sorriso, a lágrima que brota...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Goiandira - Levanta e anda




DOUTORA FERNANDA, ANDA, ANDA, ANDA...

         O tratamento de doutor (a) recai, atualmente, por direito, sobre aqueles profissionais que possuam doutorado em qualquer linha do conhecimento. No uso diário, ao longo da história, de fato só pertenciam a certa categoria da Saúde como os médicos e, recentemente odontólogos que nunca deixarão, na língua diária, de serem apenas dentistas. Os advogados também entram neste seleto rol.
         Numa concepção de necessidade a gente sai chamando de doutor (a) todos aqueles que poderão nos aliviar dos sofrimentos da carne e mente como psicólogos e fisioterapeutas.
         O fisioterapeuta ainda poderia ser tratado de curandeiro ou milagreiro, pois sua atividade, além do douto saber, requer a paciência e a capacidade de encorajar o vitimado da lesão a levantar e andar, abrir e abraçar. Com seus movimentos aparentemente fracos e pesos insignificantes vão tonificando músculos, costurando tendões e revestindo ossos.
         Desta profissão faz parte a Fernanda.   Vou falar da Fernanda, mas antes fico a imaginar os gênios da Humanidade. O Einstein, físico número um do mundo em todos os tempos, então nos Estados Unidos, foi convidado a dar aulas numa universidade ao que prontamente aceitou. Na hora da propositura salarial ele pediu a quantia de três mil dólares ao mês. Todos ficaram de queixo caído, pois isto era praticamente irrisório pelo gigantismo do profissional da educação em pauta.
         Bem, a Fernanda terá que esperar mais um pouco, pois acabei de me lembrar de outro Albert, desta vez o Sabin, aquele cientista bioquímico e sei lá mais o quê, que desenvolveu a vacina contra a Paralisia Infantil, porém por ironia do destino, terminou seus dias na cadeira de roda. Sua Fundação e Instituto continuam funcionando sob a batuta da esposa, uma brasileira. O fato é que na inauguração do Hospital Albert Sabin, um dos profissionais de Marketing, sugeriu que se convidasse o próprio cientista, o que foi descartado, inicialmente, dada à grande personalidade ou vulto de custo deste ícone. O “Marketeiro” insistiu e, no contato, Sabin veio em troca somente das passagens aéreas. Estava com saudades do Brasil...
         Grandes profissionais não precisam de dinheiro? Não é bem assim, diria a Dra Fernanda, pois conta-se que um sábio, sempre procurado para o aconselhamento real na lida do Reino e nas batalhas vitoriosas morreu de fome. O rei sempre o elogiava em praça pública, publicava editos, condecorava-lhe com medalhas reluzentes, mas algum sustento básico não pintava no prato. Sábio alimenta, se veste, se diverte e é confundido com o gênio da lâmpada mitológico.
         Um bom profissional, como a Dra Fernanda, precisa de investimento contínuo, pois técnicas aprimoram-se. A aprendizagem nunca é sem fim e, no currículo daquele que não quer ser o melhor, mas fazer o melhor para o seu alvo, o seu cliente, o seu paciente.
         A Fernanda era uma menina ainda há bem pouco tempo. Na mercearia e açougue da família, estabelecimento com portas abertas em desatenção ao calendário, ela atuava intensamente. Hoje ainda colabora com a família dentro das suas possibilidades. Ela, ali, moldou suas responsabilidades irretocáveis e inabaláveis para o resto da vida. Esta açougueira, que deve ter se entusiasmado decepando nervuras ou rasgando músculos bovinos, agora reconstrói movimentos nas pessoas acidentadas. Ela recupera a fibra, enrigece os músculos e “levanta e anda” humanos esfacelados. Fernanda é fisioterapeuta de calibre grosso. Sua competência supera, no Serviço Público Municipal, as carências múltiplas. Ela não gosta de improvisos, mas é o que se tem e não impede que um trabalho seja feito ainda que não a contento. Fernanda, sempre dedicada no fim justificando os meios, leva para o Serviço Público seus equipamentos particulares, insubstituíveis na terapia.
         Parece que será difícil mantê-la nesta nossa cidade tão carente. Que ela seja feliz onde estiver e que, por suas mãos impostas e orientações, coxos e aleijados se lembrem do Cristo, o Grande Fisioterapeuta de uma única sessão.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Jornal Observatório nº 1 - Página 1



 

ONTEM, HOJE E AMANHÃ – DIA DA MULHER


                Minha esposa, sempre cheia de dotes, salve salve, num tempo duro de nossas vidas, fazia salgadinhos, bolos, vendia roupas e outras atividades lucrativas para complementar nossa renda familiar, sempre no recôndito do lar. Eu ia para o trabalho bem cedo e retornava na boca da noite. Na escola do meu filho caçula perguntaram as profissões dos pais e ele prontamente respondeu que o pai era militar e que a mãe não fazia nada.
            É assim o dia-a-dia da mulher em geral com tarefas tão necessárias e que quase não contam pontos ou não são notadas. Oh! Glória!
            É atribuída a Jesus Cristo, não sei mais onde li, pois não consta dos evangelhos, a seguinte frase: “Bendita seja a mulher, pois de uma só poderá nascer uma nação inteira.”
            A mulher, que teve na costela do homem, uma matéria-prima mais elaborada que o barro, é este ser que dá vida, de sexto sentido, que embeleza, transforma, perpetua e se sobrecarrega de tarefas que nunca dantes a pertencera. Ela abraça a causa, afaga as lágrimas e desmancha-se em sorrisos por um mero e aquém-elogio do seu merecimento.
            A mulher é mágica e, como agente modificador do ambiente por inteiro. Segue pacificamente mudando a face do planeta.
            A sociedade que, por milênios, a trancafiou no recôndito do lar, não poderia ir muito longe mesmo sem a mesma como ponta de lança.
            A mulher é amiga da dor, companheira do silêncio e vítima de destemperos daqueles que mais sugam de sua seiva. Ela crê facilmente naquele que pouco tem a ofertar-lhe além de falsas palavras. A sua luta tem desenvolvido mecanismos de proteção e o seu real valor vai ficando escancarado e vai paulatinamente calando os que antes se diziam fazedores do progresso.
            A mulher simplesmente não saiu de casa, mas invadiu salas de universidades, mercado de trabalho antes restritos, parlamentos, paisagens do dia-a-dia, o código de leis, os corações, os céus...
            A mulher cuida da saúde e expõe suas dores sem qualquer constrangimento.
            A mulher se exercita com a vestimenta e perfumes adequados nas passarelas urbanas das caminhadas “matino-verspertinas”, apesar do dia escaldante que enfrenta como atriz principal de vários papéis no palco da vida.
            Nos templos religiosos elas são maioria esmagadora. Elas vivem mais que os homens e, apesar de muito ter penado nas mãos de tantos, sente saudades do algoz.
            O perdão é uma de suas armas mais usadas nas guerras de sua existência.
            Elas estão em maioria nos asilos por sempre estarem sujeitas ao não incomodar os outros que tanto incomodaram.
            Elas são minoria nas prisões, mas não deixam nunca de estarem cativas.
            Vivemos a Semana da Mulher que se confunde com a mãe, com a filha, com a mendiga, com a doutora, com a presidenta, com a dona de casa, com a internada, com a de cara sofrida e a com cara de burca... Reverências mil, sempre!