segunda-feira, 15 de abril de 2013

Goiandira - Levanta e anda




DOUTORA FERNANDA, ANDA, ANDA, ANDA...

         O tratamento de doutor (a) recai, atualmente, por direito, sobre aqueles profissionais que possuam doutorado em qualquer linha do conhecimento. No uso diário, ao longo da história, de fato só pertenciam a certa categoria da Saúde como os médicos e, recentemente odontólogos que nunca deixarão, na língua diária, de serem apenas dentistas. Os advogados também entram neste seleto rol.
         Numa concepção de necessidade a gente sai chamando de doutor (a) todos aqueles que poderão nos aliviar dos sofrimentos da carne e mente como psicólogos e fisioterapeutas.
         O fisioterapeuta ainda poderia ser tratado de curandeiro ou milagreiro, pois sua atividade, além do douto saber, requer a paciência e a capacidade de encorajar o vitimado da lesão a levantar e andar, abrir e abraçar. Com seus movimentos aparentemente fracos e pesos insignificantes vão tonificando músculos, costurando tendões e revestindo ossos.
         Desta profissão faz parte a Fernanda.   Vou falar da Fernanda, mas antes fico a imaginar os gênios da Humanidade. O Einstein, físico número um do mundo em todos os tempos, então nos Estados Unidos, foi convidado a dar aulas numa universidade ao que prontamente aceitou. Na hora da propositura salarial ele pediu a quantia de três mil dólares ao mês. Todos ficaram de queixo caído, pois isto era praticamente irrisório pelo gigantismo do profissional da educação em pauta.
         Bem, a Fernanda terá que esperar mais um pouco, pois acabei de me lembrar de outro Albert, desta vez o Sabin, aquele cientista bioquímico e sei lá mais o quê, que desenvolveu a vacina contra a Paralisia Infantil, porém por ironia do destino, terminou seus dias na cadeira de roda. Sua Fundação e Instituto continuam funcionando sob a batuta da esposa, uma brasileira. O fato é que na inauguração do Hospital Albert Sabin, um dos profissionais de Marketing, sugeriu que se convidasse o próprio cientista, o que foi descartado, inicialmente, dada à grande personalidade ou vulto de custo deste ícone. O “Marketeiro” insistiu e, no contato, Sabin veio em troca somente das passagens aéreas. Estava com saudades do Brasil...
         Grandes profissionais não precisam de dinheiro? Não é bem assim, diria a Dra Fernanda, pois conta-se que um sábio, sempre procurado para o aconselhamento real na lida do Reino e nas batalhas vitoriosas morreu de fome. O rei sempre o elogiava em praça pública, publicava editos, condecorava-lhe com medalhas reluzentes, mas algum sustento básico não pintava no prato. Sábio alimenta, se veste, se diverte e é confundido com o gênio da lâmpada mitológico.
         Um bom profissional, como a Dra Fernanda, precisa de investimento contínuo, pois técnicas aprimoram-se. A aprendizagem nunca é sem fim e, no currículo daquele que não quer ser o melhor, mas fazer o melhor para o seu alvo, o seu cliente, o seu paciente.
         A Fernanda era uma menina ainda há bem pouco tempo. Na mercearia e açougue da família, estabelecimento com portas abertas em desatenção ao calendário, ela atuava intensamente. Hoje ainda colabora com a família dentro das suas possibilidades. Ela, ali, moldou suas responsabilidades irretocáveis e inabaláveis para o resto da vida. Esta açougueira, que deve ter se entusiasmado decepando nervuras ou rasgando músculos bovinos, agora reconstrói movimentos nas pessoas acidentadas. Ela recupera a fibra, enrigece os músculos e “levanta e anda” humanos esfacelados. Fernanda é fisioterapeuta de calibre grosso. Sua competência supera, no Serviço Público Municipal, as carências múltiplas. Ela não gosta de improvisos, mas é o que se tem e não impede que um trabalho seja feito ainda que não a contento. Fernanda, sempre dedicada no fim justificando os meios, leva para o Serviço Público seus equipamentos particulares, insubstituíveis na terapia.
         Parece que será difícil mantê-la nesta nossa cidade tão carente. Que ela seja feliz onde estiver e que, por suas mãos impostas e orientações, coxos e aleijados se lembrem do Cristo, o Grande Fisioterapeuta de uma única sessão.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Jornal Observatório nº 1 - Página 1



 

ONTEM, HOJE E AMANHÃ – DIA DA MULHER


                Minha esposa, sempre cheia de dotes, salve salve, num tempo duro de nossas vidas, fazia salgadinhos, bolos, vendia roupas e outras atividades lucrativas para complementar nossa renda familiar, sempre no recôndito do lar. Eu ia para o trabalho bem cedo e retornava na boca da noite. Na escola do meu filho caçula perguntaram as profissões dos pais e ele prontamente respondeu que o pai era militar e que a mãe não fazia nada.
            É assim o dia-a-dia da mulher em geral com tarefas tão necessárias e que quase não contam pontos ou não são notadas. Oh! Glória!
            É atribuída a Jesus Cristo, não sei mais onde li, pois não consta dos evangelhos, a seguinte frase: “Bendita seja a mulher, pois de uma só poderá nascer uma nação inteira.”
            A mulher, que teve na costela do homem, uma matéria-prima mais elaborada que o barro, é este ser que dá vida, de sexto sentido, que embeleza, transforma, perpetua e se sobrecarrega de tarefas que nunca dantes a pertencera. Ela abraça a causa, afaga as lágrimas e desmancha-se em sorrisos por um mero e aquém-elogio do seu merecimento.
            A mulher é mágica e, como agente modificador do ambiente por inteiro. Segue pacificamente mudando a face do planeta.
            A sociedade que, por milênios, a trancafiou no recôndito do lar, não poderia ir muito longe mesmo sem a mesma como ponta de lança.
            A mulher é amiga da dor, companheira do silêncio e vítima de destemperos daqueles que mais sugam de sua seiva. Ela crê facilmente naquele que pouco tem a ofertar-lhe além de falsas palavras. A sua luta tem desenvolvido mecanismos de proteção e o seu real valor vai ficando escancarado e vai paulatinamente calando os que antes se diziam fazedores do progresso.
            A mulher simplesmente não saiu de casa, mas invadiu salas de universidades, mercado de trabalho antes restritos, parlamentos, paisagens do dia-a-dia, o código de leis, os corações, os céus...
            A mulher cuida da saúde e expõe suas dores sem qualquer constrangimento.
            A mulher se exercita com a vestimenta e perfumes adequados nas passarelas urbanas das caminhadas “matino-verspertinas”, apesar do dia escaldante que enfrenta como atriz principal de vários papéis no palco da vida.
            Nos templos religiosos elas são maioria esmagadora. Elas vivem mais que os homens e, apesar de muito ter penado nas mãos de tantos, sente saudades do algoz.
            O perdão é uma de suas armas mais usadas nas guerras de sua existência.
            Elas estão em maioria nos asilos por sempre estarem sujeitas ao não incomodar os outros que tanto incomodaram.
            Elas são minoria nas prisões, mas não deixam nunca de estarem cativas.
            Vivemos a Semana da Mulher que se confunde com a mãe, com a filha, com a mendiga, com a doutora, com a presidenta, com a dona de casa, com a internada, com a de cara sofrida e a com cara de burca... Reverências mil, sempre!

domingo, 10 de março de 2013

Calçada difama



PASSIVIDADE E PERMISSIVIDADE


            Estamos cercados de problemas por todos os lados, não só pessoais, mas inclusive coletivos.
            Se um idoso não tem preferência no atendimento a gente deixa pra lá afinal ainda não chegamos nesta fase.
            Se a educação via mal, não nos afeta, pois os filhos estão formados, empregados e os netos vão pra educação privada.
            As drogas não existem na nossa família, mas ainda podemos ser vitimados por usuários contraventores.
            Até então, embora ciente das dificuldades de locomoção para quem usa cadeiras de rodas, não havia sentido na pele este contratempo. Nossas calçadas goiandirenses, tão mal feitas ou mal conservadas ou não feitas, jogam até os pedestres normais para as pistas de rolamento.
 
Carros estacionados sobre as calçadas são uma constante. Existem aqueles veículos parados há tantos anos no local, inclusive decompondo-se a céu aberto, podendo, inclusive, ser foco de dengue.

Em Goiandira inclusive o posto de gasolina invadiu a calçada.
Outro dia estava observando o Wender, nosso ceguinho predileto “bengaleando” pela cidade com muita destreza. Que capacidade! Quem o vê dirá que não é deficiente, pois sabe até onde estão para serem puladas, as poças dágua da chuva. Tem toda a cidade mapeada menos os carros nas calçadas que surgem do nada. O Wender é fenômeno juntamente com sua esposa Rentatinha, também deficiente visual.

Estava me esquecendo, sei das dificuldades porque um tio idoso conta comigo para dirigir sua cadeira de rodas. Acidentou-se num tombo e merece cuidados especiais. Se for especial, este cara sou eu. Brincadeirinha...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Santo não bebe, mas hão vampiros.



Ninguém bebe só!

Uma cena fica martelando em minha memória e ao mesmo tempo tento jogá-la para apenas o meu imaginário, mas aconteceu e, as consequências, sabem-se lá quantas e quais se desenrolam. Nada fica sem resposta, sejam bênçãos ou maldições, lei de causa e efeito.


Meu querido irmão, ainda com a garganta quente de ter saboreado o líquido de alto teor alcoólico, para no acostamento seu veículo de ventura. Afasta-se das margens da rodovia e sobe em um cupim e, numa oração sincera, porém descabida, roga aos Céus que o deixe sorver sempre o álcool que lhe faz tão bem. Que o consumo exagerado e contínuo jamais seja a causa de sua morte.

A bebida, doce néctar que lhe faz adormecer e apagar momentaneamente seus dilemas, não é a fuga dos bravos e, ao contrário, vai-lhe consumir paulatinamente até a última forma vital. É um suicídio não zelar de tão formoso corpo que nasceu para o bem e o trabalho.

Por mais que Deus faça-lhe ouvidos de mercador, à sua volta, uma nuvem de espíritos se regala com tal atitude. Tais irmãozinhos, ainda necessitados de vampirizar o aroma dos bêbados, passam a ser a sua companhia. Partem então atrás deste alguém forte que pode consumir muito e, sem que o saiba, carrega sobre si uma corja de malfeitores.

Meu irmão, meu herói, às vezes a gente quer externar a grandiosidade de uma pessoa e não conseguimos. Faltam-nos talvez palavras ou tempo. Gente boa não se encontra nas esquinas por aí. São poucas, são raras, são exemplos e nem sempre sabem da importância que exercem sobre os outros.

Normalmente um irmão mais velho serve-nos de referência, mas no meu caso foi o contrário. Meu irmão imediatamente mais novo é o meu modelo. Perdemos o contato por um bom período da vida, mas nunca me esqueci de sua bondade, de seu jeito meigo, da sua vontade e disposição em melhorar o mundo.

Trabalhou duro até que adentrou à uma corporação militar de bombeiros. Nesta corporação seguiu carreira e, conforme sonho de infância, tornou-se herói de verdade.

O calor do amor pelos humanos deve ter quase lhe consumido. O amor pela natureza também. Era uma matéria de nota máxima em seu peito que parecia caber todo o ecossistema. Os animaizinhos sempre foram sua preocupação e aqueles estropiados eram os mais socorridos. Lembro-me da adoção de uma maritaca perneta.

Depois de um tempo até vislumbrou na política uma maneira de poder ajudar o próximo, mas ter apenas boa-vontade não elege ninguém. As urnas não gritaram seu nome, pelo contrário, fez emudecer-lhe a voz de consolo. Talvez decepcionado com outros acontecimentos, principalmente junto à família, aumentou a sua dose de aperitivo e foi-se tornando mais amargo, não ao ponto de se igualar a nós pobres mortais, mas eu tenho medo que meu herói seja derrotado por este inimigo que já dizimou tantos, principalmente na nossa família. Este inimigo é mais forte que nós e causa de falência múltipla. A solução é manter distância, sempre.

As pessoas mais próximas, que sempre o aplaudiram, estão a querer ressuscitar aquele bom homem. Todos em uníssono suplicam: Levanta-te e anda!

Depende somente de ele pôr-se de pé e que o bronze o modele numa estátua na eternidade de nossos corações.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Carta aberta à Hélida Caparelli



APRUMA – Associação de Proteção Unilateral ao Meio Ambiente

Olá, Amiga!...
Peraí, o que é amiga? Talvez eu esteja exagerando. Uma colega então? Não, outra vez não, pois fica parecendo que estudamos juntos nalgum curso superior, quando muito participamos de um estudo do Evangelho... Pronto, definimos nossa relação – Caminheiros Espíritas.
Pois bem, caminheira Hélida, além da fé que professamos, temos afeição aos animais domésticos. Ainda que estejamos acima da cota de responsabilidade estamos a nos sensibilizar constantemente com os que habitam as ruas e que são maltratados por muitos inumanos.
Eu estou com quatro cães e alguns gatos, animais estes que recolhi ainda filhotinhos nas ruas da nossa cidade. Não são os únicos, pois para alguns outros consegui lares decentes e estão cercados de amor.
Talvez eu seja um dos poucos que passeia atrelado a quatro cães, duas vezes por dia, mas muitos já estão passeando, não sei se tendo este ecologista como exemplo. A realidade está mudando paulatinamente. Esta caminhada diária faz muito mais bem a mim, apesar de encontrar pessoas que fazem cara de desprezo ou outra que pede para passar longe da calçada de seu endereço.
Costumo dizer que não fui eu quem os retirou da rua, mas eles que me tiraram de casa.
Sei que você está sensibilizada com os cãezinhos abandonados, principalmente os doentes, mas abrir uma associação protetora dos animais requer um engajamento de todas as forças, afinal quem protege os animais acabará por querer também proteger o meio ambiente como um todo. O lixo municipal, por exemplo, também merece nossa atenção redobrada.
Como articulador de tal grupo eu me abstenho, pois costumo envolver-me por demais e desencorajar os outros membros que, muitas vezes, certamente não me acompanharão na minha disponibilidade ou dedicação, produtos de uma mente classificada mundanamente de bipolar.
Ainda ontem, 26 de janeiro de 13, passando do outro lado da rua principal, defronte o Armazém do “Alisson”, um mísero habitante deste lugar soltou uma bombinha “cabeça de nego” para me colocar em apuros com os meus cães querendo fugir. Fiz um esforço grande e, por causa desta troça vagabunda, ainda penalizei mais meu ombro direito com ruptura de tendão. Mesmo não sendo do meu feito soltei alguns palavrões em direção aos mesmos.
Uma associação protetora dos animais encontrará muito mais problemas que soluções. As mazelas de nossa sociedade hipócrita poderão ficar expostas.
Ainda assim pode contar comigo, pelo menos ideias e disposição não me faltam.
Para que seja um grupo bem arquitetado, além do amor pelo animais, os quais possuímos, eu, você, o Paulo da Carminha, a Roberta, O Penteana, a Professora Nita, há de se contar com pessoas dotadas de funções específicas no quadro, por exemplo, Advogado, Policial, Contador, Veterinário, Farmacêutico, Comerciante de produtos veterinários, Propagandistas, Professores biólogos e os cachorros... Políticos também.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Sábado-Feira em Goiandira



VAMOS BOTAR BANCA

Sempre encontrei nas feiras livres um lugar de passeio, trabalho, compras diversas e, acima de tudo, diversão. Recordo aqui então da maneira irreverente dos feirantes do Bairro de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. Era uma graça sem fim conforme anunciavam seus produtos a plenos pulmões. Um dizia: "Ajude um paraíba a tratar de duas mulheres", enquanto o vizinho replicava: "Ajude a mim que quero comprar um carro zero."
Na verdade uma banca de feira, com muito trabalho, permite uma vida de realizações. Tive um tio que era feirante e, em tenra idade, o ajudava nos fins de semanas. Começou suas atividades com vendas de queijo e manteiga de leite, produtos oriundos da fazenda de seus pais. Com o passar do tempo foi ampliando seus produtos. Em pouco tempo, em troca do meu auxílio, levava pra casa então uma cesta recheada de frutas, verduras e derivados do leite para toda a semana da minha família.
Meu tio, me dava forte impressão, que ele gostaria de me adotar e, se eu pudesse interferir na negociação, ela seria concretizada rapidinho.
Nas feiras livres araguarinas eu carregava as cestas ou empurrava carrinhos por alguns trocados. Vi coleguinhas que retiravam produtos da cesta que carregavam e jogavam no lixo, para apanharem no caminho de volta. Virgemariasantíssima!

Em Goiandira só existe a feira do dia de sábado. Ela começa cedo e termina também muito cedo. Sempre é compensadora. Existe uma mini-banca de doces e geléias que é a minha preferida. São doces artesanais de alto padrão degustativo. Também sou usuário de alguns biscoitos caseiros que tem gosto de quero-mais.

Existe um feirante de frutas e verduras, sempre acompanhado de esposa e filho, que foi quem me lembrou das feiras de Realengo, pois é cheio de graça sem ser Ave-Maria. Para colher sua imagem, ele disse-me que era tão bonito que não precisava de photoshop e, se a vida fosse um "Big Brother", ele seria o líder.

A feira permite que uma infinidade de produtos tenham saída, inclusive amostras de artesanatos, como tapetes confeccionados por presidiários locais.
Bancas de salgados, com ou sem caldo de cana, são "personas gratas" deste horizonte matutino.
Na limpeza do local, logo após a utilização, ainda como milagre, é possível, com o "restolho" fazer sopa para muitos.

Eu até pensei, e vou discutir com a Mocidade Espírita nascente, em botar uma banca da Caridade ali. Poderíamos vender artesanatos, recolher donativos, distribuir mensagens e tudo que a criatividade permitisse em prol do nosso próximo necessitado.
Viva a Feira!