sábado, 4 de dezembro de 2010

Dois Sacanas: Carlos Drummond de Andrade e Eu



Pensamento Satânico

"Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo Filho da Puta!!!!"

Carlos Drummond de Andrade


Ela e o Austin

Aproximei-me sorrateiramente e ainda pude ver o meu amor arrastando o Austin, pelo braço, para o nosso quarto. Naquele corpo-a-corpo pude ver o Austin o tempo todo de boca aberta.
Mantive-me à espreita pra não interromper aquela relação cheia de vibrações. Sentaram-se à nossa cama e meu amor, querendo obter a nota máxima, colocou o Austin no seu colo confortavelmente. Encaixou a sua coxa na cava do Austin e o abraçou. O Austin até então mudo, ao ser tocado e esfregado, soltou gemidos sonoros. A tensão foi aumentada e o instrumento, manipulado com muito intimidade e rapidez, pelas mãos de meu amor, esticou-se ao limite máximo. O corpo de ambos soavam... os trastes se comprimiam... Sem saber, aqueles dois, em todas as posições possíveis, tocavam uma pra mim, então tive que interromper o meu gozo de satisfação com intermináveis palmas...
Meu amor, minha ave canora, tanto que podia ter um violão Austin, legitimo espanhol, mas tem um made in China.

PS: Sem contar que depois de tanto êxtase o Austin vai pra dentro do armário!
Aristeu Nogueira Soares

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Antônio Marcos de Paulo



OUTRAS PESSOAS

Existem pessoas que envelhecem...
E outras que comemoram a vida!
Existem pessoas que pecam...
E outras que perdoam!
Existem pessoas que se realizam...
E outras que não se contentam!
Existem pessoas que o dia é longo...
E outras que se realizam a cada minuto!
Existem pessoas com objetivos na vida...
E outras em que a vida é objeto!
Existem pessoas que desistem...
E outras que recomeçam!
Existem pessoas que passam...
E outras que permanecem!
Existem pessoas que ensinam...
E outras que modificam!
Existem pessoas que sorriem...
E outras que não ficam tristes!
Existem pessoas que constroem estradas...
E outras que abrem caminhos!
Existem pessoas escravas...
E outras que cativam!
Existem pessoas que badalam...
E outras que martelam!
Existem pessoas sisudas...

E outras, bem poucas, Antonio!
Existem pessoas madalenas...
E outras, bem poucas, Marcos!
Existem pessoas frutas amargas...
E outras, bem poucas, de Paulo!
Existem pessoas caroço...
E outras, bem poucas, é massa!
Existem pessoas que vão
E outras que permanecem

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O leão era manso


Em cima daquele morro...


No meu país das bandalheiras
Tudo pode e tudo é crime.
Contrabando lá na feira
E corrupção que não redime!

Plágio, cópias de livros
E conexão clandetina.
De tudo eu me sirvo
Viva eu made in china!

Prendo o animal silvestre
E compro a nota da madeira.
Tudo num golpe de mestre
Propinar fiscais é brincadeira.

O crime é organizado
Até na invasão de terras
Com custos contabilizados
Esta máquina não emperra.

Compro voto e falcatruas,
Sequestro e escravizo.
Emprego o menor de rua
Pra matar e dar aviso.

Urino a via pública
Exploro sexo e "boca".
O morro é minha república
A planície dorme de touca.

Espanco a Maria da Penha
Na violência doméstica.
Clono cartão e senha,
Mas no congresso tenho ética!

Desacato a autoridade
Onde moro ponho censura
Fecho o comércio da cidade
E pratico a tortura.

Busco armas poderosas
E novas rotas à droga
Na minha vida perigosa
Compro os de farda e de toga.

Quando preso na cadeia
Faço dela fortaleza.
Aumento mais minha teia
Viro mais que realeza.

Tenho rádio pirata,
Lavo dinheiro na Igreja,
Ostento ouro e a prata
Onde quer que eu esteja.

Tenho carros importados
E apartamentos em zona sul.
Elejo dois deputados:
Um vermelho e um azul.

Torço para a raposa,
Mas também sou urubu,
Por muito ou qualquer coisa
Dou carne humana ao pit-bull.

Quando chega a mercadoria
Solto fogos e balão.
Muita festa e alegria
Mostro na televisão.

Falam que eu sou forte
E então eu acredito.
Sou o senhor da morte,
Super-homem e até mito.

De repente exagero
Onde toco vira fogo
Quando menos espero
A polícia vira o jogo!

Acabou-se a paciência
Chegam em mim por terra e ar
Força armada e presidência
Acabam de acordar.

Pernas pra que eu te quero
Agora ou mato ou morro.
Chega de lero-lero
Do morro pro mato corro!

Se o cerco for rompido
Farei de mim mais um cristão.
Vale a pena ser bandido
Só noutra encarnação.

Chega de impunidade!
Grita o povo pelo Pai,
Mas pra vencer toda maldade
O sangue do justo cai.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Já que é tempo de poesia


A arca que não é

O mundo imundo e errabundo aos olhos cai.
Para a lama se esvai. Pára a lama! (dissabores)
Corrupto ou corruptor são ininterruptos cassadores,
São da bancada – que mancada – saltimbancos relatores.
CPI, CP VAI, CP CHEGA, CP CEGA, CP NEGA.
Navegar é preciso e na nave não há juízo.
A Procuradoria, com sabedoria, procura a Corregedoria...
Ia... Ia... Ia... O rio seca e transpõe o monte...
Vira estrada e o supremo aponta o super remo.
O Senado, ainda blindado, bóia sem horizonte!
A imprensa prensa o que pensa, mas não pensa.
A manchete mancha e se repete... e some...
... Outra notícia a consome: A polícia pega o pó e alicia.
O Congresso digresso é salvo do réu-confesso;
O presidente, água ardente, não presente;
O povo armado, de novo estorvo, na urna labuta;
A Câmara dos Deputados...

domingo, 28 de novembro de 2010

No "Portal de Araguari" tem outro final


Tudo Bem!

Teve um tempo de bonança
Em que se vivia com vintém.
Hoje toca e não se dança
E a gente exclama: Tudo bem!

Nosso plano de saúde
Era um chá de qualquer trem
Aliado a um Deus-te-ajude.
Hoje morre na carência e tudo bem!

Quem mandava era o coronel.
Só ele e mais ninguém.
Hoje somos escravos do papel
É autentique e tudo bem!

Tem a fila lá do banco,
Do hospital e do armazém.
De fila não se passa em branco,
Mas ela anda e tudo bem!

Na escola do passado
Professor era Seu Alguém.
Hoje é ameaçado,
Ele apanha e tudo bem!

Hoje fica-se mais perrengue
e por um pouco vai ao além.
Mata o câncer e mais a dengue.
Estou vivo - tudo bem!

A Cidade Maravilhosa
Está dominada também.
A segurança é vergonhosa...
Sou doutro estado - tudo bem!

Igreja pra todo lado,
Tanto irmão e tanto amém.
Pastor e bispo endinheirados
Dão-me o céu e tudo bem!

Pai e filha são nubentes.
Todos filhos são harém.
Muita cabeça doente...
É com os outros - Tudo bem!

Jogar bola é uma mina
E também casa-se bem.
Mulherzão que alucina
Pago o ingresso e tudo bem!

A corrupção anda larga
E do imposto sou refém.
Esta minha sobrecarga
Tiro do próximo e tudo bem!

Hoje é dia de Raimunda.
Tratam amélias com desdém.
Glúteo na tela de segunda a segunda
Compro a revista e tudo bem!

Vai ter guerra no oriente.
Quem vê jornal se entretém.
É num outro continente
E sendo só lá tá tudo bem!

Terremoto e furacão
Em um constante vai-e-vem
Treme e sopra outra nação,
Mas no Brasil tá tudo bem!

A natureza não demora
Há de nos cobrar porém,
Pois pimenta no do outro
Há de arder no meu também!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A diretora Lêda



O Ledor

A Escola é uma Igreja
Veja bem por qual razão:
É um Céu de conhecimento
E tem anjinhos de montão.
Tem a Pública e a Privada
Enchendo nossa bagagem,
Mas o destino do ensino
É a eterna aprendizagem.
E o preço da passagem
Nessa tão grande viagem?
Dinheiro não é paga
À tonelagem dessa carga.
Aproveite o quanto possa
A beleza da paisagem.
Fui aluno muito pobre,
Mas aprendi a lição
No caminho lá do Grupo
Com perfeita exatidão
Desenhava meu pezinho
Na poeira pelo chão.
Um conselho, oh fedelho,
Para a sua abolição
É amar a leitura
E nela por dedicação.
Lê de tudo quanto possa,
Pois é essa a solução;
Há quem lê da mão nossa
O futuro da Nação.
Lê da Escritura a verdade;
Lê da Cartilha o Bê-a-bá;
Lê da Lei o inocente;
Lê da vida o que há.
Lêda, cara Diretora,
Que não quer se aposentar,
A ânsia por mudanças
Do Brasil... do seu mundinho...
Através de uma criança
Mantém viva a esperança
Que rosas não dão espinhos
Do Jardim da nossa infância.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dez a fio


Enfio e afio

Caro amigo seguidor,
Poesias também aprecio,
Tecê-las me é um favor,
Cada uma é um desafio.
Se o fio da meada me agrada
A tudo num instante renuncio
E a uma nova empreitada
Minha atenção eu desvio.
Por um pouco de rima
Confesso que até parodio,
Mas me inspiro Lá Em Cima
NAquele a quem sempre confio,
Nossa vida é uma teia
Ou então um mar bravio.
Um sangue quente na veia
Ou um eterno vazio,
Mas tendo o Amor como tudo
Num instante me inebrio,
A teia vira um escudo,
O sangue, num sopro, resfrio,
O vazio se extasia,
O fio terra é poderio
Contra toda energia.
O fio pode ser uma canção
Ou um simples assobio
Um fio de cabelo na mão
É um DNA que copio,
A corrupção parece fio invisível
E a FioCruz tem seu brio.
Eis a verdade possível:
A evolução não quer fio...
Telefone sem fio,
Mouse sem fio,
Internet sem fio,
Microfone sem fio,
Quando muito meio-fio.
E na rede ponho meu perfil,
mas às vezes desfio,
Atrofio? e de novo fio...