quarta-feira, 7 de julho de 2010

Meu irmão deputado federal?



COMPANHEIROS


Está oficializada minha candidatura a Deputado Federal, com certeza a mais ousada pretensão de minha vida. Digo ousada não por achar que seja coisa de outro mundo, ou de estar fora de minha capacidade, e sim por saber das dificuldades que encontrarei pelo caminho tortuoso e incompreendido que é o entendimento político da maioria dos eleitores.
Acredito que a política bem exercida, é sem dúvida a prática do amor fraterno. Cuidar do bem comum, zelar pelo que é de todos, colocar os seus talentos a serviço da Comunidade é também a forma mais concreta de amar o próximo.
Sou corajoso! Pois não é fácil levantar da poltrona, sair do conforto e segurança de minha casa e levar as minhas convicções para a rua...
Para muitos é fácil resmungar que tudo isso é uma vergonha, que nada se salva no ambiente político, que são todos uns ladrões, que querem se dar bem na vida, não se preocupando com as pessoas a quem pediram votos. Difícil é ir à luta para fazer parte da solução, andar pelas calçadas pedindo votos, olhando as pessoas olhos nos olhos, merecendo o respeito de muitos, e também agüentando o desprezo, e às vezes, que não são poucas, a grosseria de outros tantos.
A pessoa humana tem direitos naturais à vida digna, à educação, ao trabalho, à liberdade, à propriedade. Entendo esses direitos, não como meras outorgas legais, e sim como possibilidades concretas. Vale dizer também, que, a pessoa humana tem direito às condições concretas e reais que lhe possibilitem viver dignamente, trazer à plenitude, pela educação, seus talentos diversificados, trabalhar honestamente, afirmar sem coerções seus desejos e opiniões, exercitar seu livre arbítrio, possuir e, pela propriedade, realizar-se mais plenamente como ser humano.
Se a nossa vida não é o que queremos, tenha certeza que ela é apenas uma conseqüência dos nossos atos e decisões do passado, pois pensando, falando e agindo, vamos construindo, a cada dia, o nosso destino. Em outras palavras, temos grande controle sobre a maneira como somos moldados, pois uma vez criadas as causas, a vida apenas ajusta os efeitos.
Há uma forte relação entre o que pensamos e o que falamos, entre o que falamos e o que fazemos, entre o que fazemos e o que conseguimos, entre o que conseguimos na vida e a nossa própria realização interior.
Na realidade, um grande número de pessoas não se permite pensar no futuro, preferindo acreditar que este é determinado pelo destino ou pela vontade de algum ente superior, alem de nossa compreensão. Com isto justificam a sua própria passividade em relação ao mundo que os cerca. São pessoas que colhem apenas uma pequena fração da colheita que a vida tem para oferecer. Não faz sentido acreditarmos que tendo mentes próprias, devemos desistir do controle de nossos anseios.
Muito obrigado.

Araguari-MG em 06 de julho de 2010.

Sub Ten Humberto Bombeiro – Deputado Federal - 3193 - PHS

sábado, 3 de julho de 2010

Um veneno sem a taça!



PATRIOTADA

O Uruguai jogou com gana – o Brasil não.
Após a eliminação, na sexta-de-adeus nas quartas-de-final, o goleiro Júlio César entoou um choro e repetiu a manjada frase futebolística: “O jogo é onze contra onze”. Então, no caso de Brasil e Uruguai, não o foi, pois ambos terminaram com dez. Dois expulsos, mas um herói e outro bandido. Prefiro guardar da partida a maravilhosa assistência de gol feita pelo Felipe Melo a seus dois trágicos erros que contribuíram sobremaneira ao fracasso conjunto.
A frase sobre futebol, dita pelo goleiro do Dunga, parece pertencer ao simpático e hilariante Vicente Matheus corintiano, mas é a própria definição dos dicionários acrescida da origem inglesa e dá prática com os pés.
Pensando bem são vinte contra dois, pois infelizmente existem os gols contra. Nesta contagem exime-se a arbitragem que podem ser elemento modificador do resultado. Onde já se viu não corrigir erros ou reparar injustiças? O árbitro, o pior remunerado dentre todos, pode ter papel fundamental nas conquistas.
Não se pode esquecer jamais que se trata de um jogo a ser considerado como brinquedo, divertimento, molejo, astúcia... Pelo menos na sua origem.
É verdade que não estamos satisfeitos, mas ainda somos, para orgulho nacional, o campeão dos campeões. Um jogo de taças ou canecos só é considerado completo com meia dúzia, uma dúzia ou múltiplos e submúltiplos, mas falta-nos apenas uma peça pra completar um jogo.
Voa na Internet uma frase bem feita dimensionando nossa frustração: “Um Dunga, Onze Sonecas e 190 milhões de Zangados”. Com certeza, o criativo autor, jogando com as duas faces da mesma moeda, preparou também outra frase, em caso de sucesso, como esta imaginada por mim: “Um Dunga, onze Mestres e 190 milhões de Felizes”.
A FIFA pede às potências futebolísticas eliminadas precocemente para não confundirem política com futebol. É uma grande piada sem precedentes, pois o futebol é pura política com a ditadura do capitalismo.
Durante quatro anos assisto futebol em isolamento, mas no mundial meu recanto enche-se de familiares e amigos, principalmente mulheres barulhentas bem piores que vuvuzelas. Lugar de mulher é na cozinha e também na Copa. Pra elas a jabulani deveria ser um novelo, pois em campo só tem gatos.
A Bandeira Nacional, dantes isolada num mastro retumbante, agora enrola seios, adapta-se às mais variadas nádegas e viram capas de super-heróis. Verdadeira patriotada com os lascados de verde-e-amarelo.
A câmera lenta ficou mais lenta e, por vingança, a bola ficou mais rápida. A jabulani é traiçoeira, pois qualquer perna-de-pau dá-lhe o efeito folha-seca, algo que já se havia dado como sepultado.
Vou continuar a torcer, pois a Copa não acabou. Melhor agora com os sentimentos voltados pra qualquer ataque ou qualquer defesa. Torcedor sem compromisso. Devo torcer incontinenti pelo continente como pelo adeus da Ar-gentinha. Certamente faltarão os quitutes que se foram com as incandescentes torcedoras...
Na hora do gol nosso de adeus, como chacota, perguntei a um ilustre torcedor desconhecido que estava sentado na minha poltrona predileta: “Quem fez o gol?” Olhando pra tela e vendo um reserva saltitante com um colete personalizado da FIFA, disse convicto e a plenos pulmões: “Foi o Fifa”.
Como dizia Garrincha, a Copa do Mundo é um torneio mixuruca que nem returno tem, mas teorias conspiradoras, desde a Copa de 1998 de favas contadas, dizem que a Ar-gentinha será a campeã deste mundial e, em 2014, no Brasil, será a vez da Ale-manha, ou vice-e-versa. Novamente, citando Garrinha, pergunto: “Combinaram com o Neymar e o Ganso?”

sábado, 26 de junho de 2010

Em pé, porque no banco não tem banco.


Fila de banco e banco não fila

De início quero contar que a Câmara de Goiandira não aprovou a Lei de Espera em Fila de Banco. Primeiro porque o Banco do Brasil é a única agência bancária na cidade e opera praticamente de favor. O lucro é pouco ou inexistente. Caso multas fossem aplicadas sistematicamente poderiam fechar a agência e, como se diz por aqui, "nem tico nem taco nem farinha no saco".
O segundo motivo é que os próprios usuários são responsáveis pelos atrasos. O terminal eletrônico dá um banho nos clientes - poucos são aqueles desenvoltos com a máquina. É preferível ir à fila normal que levar uma surra tecnológica do caixa eletrônico. Quem nunca apanhou? Também há a falta de confiança nos depósitos em envelopes bem como do pagamento em débito em conta. A melhor autentificação é aquela da boca do caixa.
A agência abre às onze horas e fecha, não sei o porquê, às quinze horas.
Outro dia eu era o primeiro da fila externa à maldita porta rotatória. Para tal façanha tive que chegar cinquenta minutos antes. Naqueles cinquenta minutos, quatro clientes foram atendidos pela gerência com uma certa facilidade, antes do horário oficial de abertura. Como cidadãos normais, no caso excepcional eu, invejam aqueles de influência!
Antes mesmo daquele lerdo relógio bancário marcar onze horas, quatro idosos já estavam à minha frente. Se eles podem chegar quarenta minutos antes por quê não podem esperar este mesmo tempo numa fila sem preferências? Esta é uma Lei que pegou tanto que apenas vão entrando à frente sem dizer nada, sem pedir licença e nem se justificar da intromissão. Não se estampa atualmente a idade facilmente em muitas caras, nem sintomas de gravidez e, quando muito, uma deficiência bem acentuada. Resumindo, o pessoal beneficiário desta exclusividade são abusados, o que permite, inclusive, que alguns caras-de-pau utilizem indevidamente tal Lei.
Ao ir na agência de Goiandira relaxe, pois a maioria dos clientes são idosos caras-de-pau que vão viver ainda por muito tempo.
Eu não sei qual a política bancária na satisfação da clientela, pois, no caso de Goiandira, existem apenas dois caixas e sempre em um há uma tabuleta com os seguintes dizeres: "Dirija-se ao caixa ao lado". Nunca vi os dois trabalhando conjuntamente. O que me deixa risonho é que nesta tabuleta existe uma seta supostamente desnecessária indicando o caixa ao lado... tão próximo!
Dentro do banco, ainda cinco idosos e ou outros beneficiários da Lei dos sem tempos, a mais cumprida no Brasil, me ultrapassaram.
O único caixa saiu pra almoçar e o substituto levou cerca de dez minutos pra receber o caixa. Quando chegou a minha vez, o meu estômago marcava muito mais que o meio dia e meia do relógio lerdo bancário. Dava impressão que estava ali há séculos. O pior é que eu precisava de apenas dois minutos a sós com o caixa. Com fome e puto, pessoas bipolares emputecem sem muita razão, abandonei a agência amaldiçoando-os a todos com toda a minha falta de fé.
No dia seguinte, ao conferir minhas transações, via internet (que felicidade este terminal meu a qualquer hora), notei um depósito não-identificado de pouco mais de cinco reais em minha conta. Na miha outra visita obrigatória à agência a caixa informou-me que no momento do fechamento do seu caixa, da outra vez, havia exatamente aquela pequena sobra. Identificou-a como minha e fez o estorno. Achei-os muito corretos, pelo menos com aquela quantia. Às vezes um só caixa trabalhando permite-nos ser reconhecidos.
Moral da história: Até um grande matemático, quando nervoso, erra na conferência do troco. kkkkkk

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cara de pau-a-pique


O GOLPE NO BANCO

Doutra feita, ainda comigo em Brasília, num tempo que longe vai, lembro-me de uma agência do BEG, Banco do Estado de Goiás, na quadra 505 Sul, muito movimentada. Por mais que fosse repleta mantinha um equipamento do século pretérito muito mais que imperfeito. Os arredores goianos tornavam tal agência primordial, mas as filas eram intermináveis. O que mais deixa a gente, brasileiros profissionais de fila, enraivecida é a pouca importância que os funcionários de banco dão ao tamanho da fila, pelo menos naquela época, período mesozóico de multas, ou seria paleolítico? Parecia que quanto maior a fila mais ficavam morosos – operação catraca de tartaruga. Outra coisa de impaciência é ver alguém, ao ser atendido, ficar batendo papo com o caixa, sobre assuntos de novela, aumentando ainda mais a permanência na fila de nós outros.
De vez em quando eu era forçado a viver tal filme na Asa Sul, pois mantinha algum tipo de negociação com minha cunhada, cliente daquela espelunca, e havia necessidade de fazer alguns depósitos à distinta. Como a agência era uma espelunca reiterada – e eu também – então ia de qualquer jeito. Chinelo de dedo, short “tak-e-tel” e camiseta cavada era minha indumentária, além de uma cara inimitável de muito coitado.
Naquele tempo e lugar, haviam filas personalizadas: Filas Vips BEG-Master, filas medianas para clientes especiais Super BEG, Fila diminuta BEG-FIVE STARS para executivos e Hiper BIG-BEG Fila, chamada de “que-deus-nos-acuda”, para aquela massa mal-vestida, sudorenta e impaciente, o meu grupo.
Eu, num ato de desespero, apesar do figurino não combinar, entrei na menor fila – a dos executivos. Tinham dois bacanas à minha frente e, eu ali folgadão, me senti o próximo, aquele que é amado. Atendimento muito rápido, assustador aos desacostumados, pois nem deu tempo do guarda ver-me e tirar da fila que não me pertencia. Era lógico e evidente que eu não me tratava de um Executivo, quando muito um Zé do cultivo.
A fila de onde eu devia me figurar é bem capaz de ainda não ter chegado a minha vez. Acredito que muitos entraram na fila do BEG e chegaram ao caixa do Itaú, muito depois da incorporação ou privatização ou fusão ou confusão ou tapeação.
A Caixa, quando chegou a minha vez, parecia que, sádica, estava sedenta a me dizer: “A sua fila é aquela láaaaa... longe”, mas antes dela sonorizar tais pensamentos eu disse num tom de dar dó: “Ôu, dôna, guardaí pra mim”.
Entreguei, parecendo um cigarro de palha, a ficha de depósito com o dinheiro enrolados um no outro. Ela tentou argumentar: “Senhor, esta fila não é para o senhor, é para clientes executivos.”
Com cara, agora de piedade infinita, balbuciei: “Pusquê? Vim nela porcaudequê azôtra tá muito grande e eu num sô bôbo tomem”.
Ela foi firme então: “Senhor está escrito ali naquela tabuleta.”
E eu, retorcido, quase choroso, falando mais próximo, como que envergonhado, disse a ela: “Me adiscurpe... É que num tenho leitura”.
Diante do caso de enorme anomalia, ela atendeu-me alertando que da próxima vez procurasse a fila devida. Acho que de morte...
Ainda disse-lhe do fundo do coração, desta vez sem fingimento: “Muito gardicido” e saí saltitante por mais um golpe na praça.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Colaboração para a coluna "Não pise n(À) gramática" do Jornal Escola


Quantos erros têm ou tem?

Me acordei irriquieta. Meu trabisseiro é testemunho dos meus pobremas. O malestado deixou meu corpo soando, meia cansada, com minésia dos pesadelos, vontade de gospir e gomitar.
Nu banheiro descobri-me com desinteria, mas isto não seria impecilho pra faltar a escola, ainda mais que Português quase me derroba. Pra mim passar vou ter muita dificulidade. Falando nisso preciso reinvidicar alguns trabalhos para pôr no meu caderno aspiral. Fisso careta pra professora e ela não vai ser beneficiente comigo.
Meu café está na bandeija e mais uma vez irei comer pão com mortandela. Caraca, isto é comida de mendingo lá no cemintério. Ainda bem que tenho iorgute. Preciso esmagrecer. Eu peso cincoenta quilos...
O cardaço sumiu e, por aventura, não vai fazer falta porque o bamba está apertado.
O jornal velho, num canto, trás notícias de estrupo com uma linguagem de baixo escalão. Eca! Meu pai ainda dorme e tenho que sair desapercebida. Acerca de alguns minutos tossiu por causa da efisema.
Tenho que alembrar de encontrar com Joaninha, minha amiga pessoal, senão ela vai dar um ataquecardia. Chega de Infarto, a não ser na professora de Português.
Odeio Português! A professora disse que eu iria comer trezentas gramas e posso comer mais no Selve Sérvice, afinal não sou como nenhuma papa-livros...

sábado, 19 de junho de 2010

Não dá pra esquecer


CATÁSTROFE DA MARGINAL PINHEIROS

Todo o Brasil afora tem pitaco,
Resta então afirmar de alma sincera:
Era pra ser mais embaixo o buraco.
Que fome! Engoliu de tudo a cratera!

Culpa-se o administrador velhaco,
Deita e rola a besta-fera,
O terreno era fraco
Com o fim da primavera!

Também tem o tal consórcio
Que faz tudo mais barato.
É um grande negócio
Dar ao macaco o mandato?

O político quer divórcio:
Não tem nada a ver com o gato,
Mas nas liberações era sócio...
O povo, mais uma vez, paga o pato.

Sepultura de dinossauro,
Sai de retro, escavadeira!
O metrô lá de São Paulo
Transporta muita sujeira.

Não me refiro aos vitimados
Tragados ao fundo do poço.
Falo dos engravatados
Que fazem fossa do fosso!

Uma CPI instalar-se-á...
E membros metidos até o pescoço.
Com certeza farão muito “AGÁ”
Tanto os mais velhos ou moços.

A mídia transforma o ocorrido
No seu prato principal.
Câmeras e repórteres atrevidos
Acima do bem e do mal.

Quando da indenização
Edificações são barracos,
A morte é uma falta de chão
É o que nos faz um buraco...

A estação de espinheiro
Já está inaugurada.
Custou bem mais que dinheiro,
Vidas e muitas burradas.

Neste Brasil dos perigos,
Tanto em terra como céu,
Façamos de Deus um abrigo,
Pois só Ele é fiel!

Há de se louvar a espera
Dos parentes no canteiro,
Mas não tem coisa mais bela
Que o heroísmo dos bombeiros!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Professor faz falta.



Grave

Das poucas coisas que lembro /De um passado que me esfola / É quando chegava dezembro / E ‘‘curtia’’ as férias da escola. / Os professores eram nossos artistas; / Até sonhávamos em sê-los; / A qualquer aluno da lista / Um diretor erguia-lhe os pêlos. / Hoje, tempos do vil erário, / Apenas mercenários, jamais mestres. / Professores de um teatro de horrores, / Se ajuntando aos cafajestes. / Nenhum salário será justo, / Pois educação não tem preço e custo. / Contente-se com gratidão e amor, / Verdadeiro educador. / Você sabe que o país não vai bem / E em muito está reprovado. / A culpa de onde vem? / Daquele que o tem ensinado. / A grave greve como direito / É um entrave em todo peito. / Quando se atreve e vêm à tona /Muitos planos desmoronam. / O sonho de qualquer remunerado / É merecer sempre mais, / Mas quem os tem governado / foi eleito ou ensinado por tais.