sábado, 14 de março de 2009

Para o dia da Poesia


Esta poesia é em homenagem a um amigo, o professor Edmar, eterno crente nos contos da carochinha. Não é métrica, mas exibo os vários tipos de rima e não-rima, bem como rima por dentro (último verso), sem ter deixado as palavras emendadas de fora como é o caso do trecho: Caro, chacal... (Carocha)

Carapuça ridícula

Estou cansado nesta vida
De ouvir gente metida,
Ainda berro, fora da linha:
- Sai de retro, carochinha!

Tenho um colo apropriado
Que mais parece um divã.
No tricô de muita lã
Muito conto carunchado.

Meu ouvido é porta aberta,
Mas não sou nenhum otário,
Morreram ontem, em hora certa,
Todos os contos do vigário.

Caro, Chacal que me rodeia
E bruxas das caras feias,
Nada valem verdades meias
Pra quem tem brio nas veias.

As mentiras que me contam
Vou comigo colecionando
Pra levar ao tribunal
E meu engano provar...

Põe com frieza na sepultura um afago:
Jaz e vago ao léu por ventura
E a pior conclusão da sorte minha: O céu,
Além da morte, maior conto da carochinha...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Vida em Goiandira


Beleza Interior num parágrafo

Cá estou eu, há quase um ano residindo no Interior. Quanta diferença da nossa capital federal! No princípio a gente estranha, mas o tempo é o melhor remédio. É outro mundo! A média de idade é um tanto quanto mais avançada e a pressa não existe. Poucos são aqueles usuários que conseguem utilizar caixas eletrônicos sem ajuda. Supermercados não têm leitores óticos de código de barras. Os cães vira-latas se proliferam com a aquiescência de todos e, se a carrocinha aparece, um protetor animalesco sai soltando fogos de artifício pra afugentar os futuros sabões. Não existem paradas de transporte coletivo com coberturas do sol, do vento e da chuva. Esgoto, kkkk, ainda está por chegar, então vivemos na fossa, mas o novo prefeito, que é o antigo também, vai resolver. É promessa do saneamento juntamente com um lago, mas, estive pensando, e se o lago for um esgoto a céu aberto? Ainda assim a cidade vai progredindo, então chegará um dia que não mais existirá Interior? Deus me livre, inclusive votei contra candidatos que prometiam desenvolvimento, pois isto eu tinha em Brasília. Preciso mesmo é de uma parada no tempo, se possível retroceder... Por falar nisso, a verdura a gente planta e vê crescer. A água é muito barata... O leite puro chega à nossa casa junto com o mugido do sedento bezerro. Não existem mais subdivisões de preços ou qualidade da carne bovina, ou é carne de primeira ou de segunda. As galinhas gritam várias vezes “botei ovo” anunciando-nos a produção. O gorjeio dos pássaros substitui plenamente toda a MPB. São aves de muitas espécies e fazem ninhos até nos xaxins da nossa casa. É tempo de manga, jabuticaba, pequi e caju... Lá, na miserável capital, lembro-me de pagar mais de cinco reais por um litro destas iguarias... Uvas e goiabas estão em cachos e flores, já já a vizinhança divide. Bananeira dá o ano inteiro, igualzinho ao côco da Bahia. Guariroba, jurubeba, mandioca e cana são pragas. Laranja e mexerica a gente corta pra queimar, kkkk. Capital, como o próprio nome diz, precisa-se de muito dinheiro, aqui não. Meu carro está a quase um mês parado, mas a bicicleta tem rodado muito. Poucos possuem carteira de habilitação e a fiscalização precária só cobra o uso de capacete aos motoqueiros. Troquei meu cartão de crédito por uma tal caderneta, vulgo prego. Existem muitas solteironas elegantes e resolvidas... É uma pena para a perpetuação da Humanidade. Tenho uma teoria de que o que acontece é que elas conhecem o passado dos pretendentes e os rejeitam. Todo mundo conhece todo mundo. Qualquer estranho ou forasteiro poderá cativá-las, kkkkk, como aconteceu comigo. Estão fazendo duas barragens no Rio Veríssimo e os trabalhadores de lá estão desencalhando aviões, kkkkk. Não vou dar mais nenhuma dica deste meu paraíso porque senão daqui a pouco meus leitores serão meus vizinhos, além do quê pescar é aqui do meu lado e tenho estado muito estressado. Kkkkk.

PS: Sei que a Língua Portuguesa exige distribuição do texto acima em outros parágrafos, mas o vernáculo, no conjunto, também não reina por aqui.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cidades Mineiras e Goianas - Palavras emendadas


Recebi, esta semana, um e-mail do amigo Jornalista Aloísio Nunes de Faria, do Jornal de Araguari, em que, numa brincadeira literária, as cidades mineiras apareciam no texto da missiva.
Como a carta é um tanto extensa colocarei apenas o início e final da mesma e, a seguir, uma pequena resposta minha em que evidencio cidades goianas.


Carta do Aloísio:

“Prezado amigo TEÓFILO OTONI,


Nesta VIÇOSA manhã de primavera, de onde se contempla um BELO
HORIZONTE, um CAMPO BELO e MONTES CLAROS, e, ainda, neste ambiente
FORMOSO de nossa terra, quando se pode contemplar também, pela
madrugada, a ESTRELA DALVA, escrevo-lhe para colocá-lo a par dos últimos
acontecimentos.

No âmbito familiar, a nossa prima LEOPOLDINA, ESPERA FELIZ dar a LUZ a
seu primeiro filho que, se for homem, se chamará ASTOLFO DUTRA e
JANUÁRIA, se mulher. Para cuidar do rebento, ela contará com
abnegação da sua governanta MOEMA. Mas, enquanto ela aguarda seu
bebê, lava roupa tranqüilamente nas BICAS existentes em um RIO NOVO,
afluente do RIO ACIMA, que passa pelas terras de DONA EUZÉBIA, naquele
LARANJAL, perto da CAPELA NOVA, onde, na hora do RECREIO, a meninada
sobe na PONTE NOVA, para pescar LAMBARI e PIAU e soltar PAPAGAIOS.
...
Depois desta CONTAGEM dos fatos, damos graças a SENHORA DOS REMÉDIOS,
SANTO ANTÔNIO DO AMPARO, SANTO ANTÔNIO DO GRAMA e SÃO TIAGO, que têm
sempre protegido a nossa família, para que nossas lutas tenham sempre um
BOM SUCESSO.

Terminando, receba um forte abraço do seu primo,

MATIAS BARBOSA.”



Minha resposta:

GOIANDIRA-GO, perto de CATALÃO, 07 de março, tempo de um MUNDO NOVO.

Alô, Ísio, ALOÂNDIA,

Recebi a carta de satisfação com as cidades mineiras e imediatamente aconselho: nem atravesse o Rio Paranaíba porque daí já se vê a BELA VISTA DE GOIÁS.
Vocês vivem repetindo que sua cidade do triângulo é um composto de ar, água e o povo ri, mas em si tratando de água eu apresento: ÁGUA FRIA DE GOÍAS, ÁGUA LIMPA, ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS, CACHOEIRA ALTA, CACHOEIRA DE GOIÁS, CACHOEIRA DOURADA e melhor que Ar + água + ri acredito ser ARAGUAPAZ.
Em matéria de hidro, têm-se sete mares em HIDROLÂNDIA e HIDROLINA.
Sei que fazem turismo por CALDAS NOVAS, esfriam o RIO QUENTE, mas tenham a mesma EDÉIA de tantos MINEIROS, como eu, reze pra SANTA RITA DO NOVO DESTINO e parta pra uma NOVA AMÉRICA, um NOVO BRASIL ou NOVO PLANALTO.
Ponha uma idéia nesta CABECEIRAS e CAÇU PILAR DE GOIÁS. Dê um berro do IPIRANGA, quebre o chapéu PANAMÁ e VALPARAÍSO DE GOIÁS.
Pois é, vocês sabem que tenho TRÊS RANCHOS às margens do CÓRREGO DO OURO e aquele da LAGOA SANTA está muito FORMOSO. Podem tomar POSSE. As chaves estão na VILA PROPÍCIO. É só pegar com JOVIÂNIA ou com suas irmãs gêmeas - INDIARA e JUSSARA. A pescada rende muito com ANICUNS, APORÉ, MATRINCHÃ, ARAÇU, GUAPÓ, PIRACANJUBA e PIRANHAS.
O SENADOR CANEDO JATAÍ mexendo pra mudar o nome de PORTEIRÃO IPORÁ PORTELÂNDIA, avisa o HEITORAÍ e outros ara GUARINOS.
Lembra daqueles ovos que levamos pra chocar? ARAGARÇAS
Homens como o Aloísio terão sempre uma NOVA AURORA e serão sempre abençoados com NOVA GLÓRIA.
Qualquer AMERICANO DO BRASIL, que sempre se sentiu bem com o clima europeu, não precisa ir mais lá: curta NOVA ROMA e NOVA VENEZA.
Aqui, além de belo é ALTO HORIZONTE, quase chegando no CHAPADÃO DO CÉU, mas ainda com pés firmes em ALTO PARAISO.
Outro dia ri em TROMBAS , até RIALMA, porque um político daí das Gerais foi acusado de ter um castelo e os nossos daqui tem CASTELÂNDIA.
A capital daí tem feiras ao luar? ARAGOIÂNIA tem muito mais!
BALIZA bem os pensamentos, pois a comadre precisa conhecer as FLORES DE GOIÁS INHUMAS CAIAPÔNIA que só dão no COCALZINHO DE GOIÁS ITAPACI acabá por causa do JARAGUÁ. Todo mundo sabe que só nascem no VARJÃO e em BARRO ALTO ao lado de BURITI ALEGRE.
Foi feita uma FAINA na FAZENDA NOVA e ela está CRISTALINA. Adquirimos produtos BRITÂNIA e CEZARINA, a cozinheira ESTRELA DO NORTE, fez um guisado de RUBIATABA muito estranho. Ela disse ao PROFESSOR JAMIL: “- Ranga.” E ele respondeu de pronto: PORANGATU.
Até MOSSÂMEDES construiu sua PALESTINA DE GOIÁS do lado da CIDADE OCIDENTAL.
ITAJÁ deu pra convencer sobre os CAMPOS BELOS, CAMPOS VERDES, mas como CERES MARZAGÃO pergunte ao CAVALCANTE ou PADRE BERNARDO.


“Os ares meus também podem ser os ares teus”

Aristeu

terça-feira, 10 de março de 2009

Luz na Câmara em ação



O Caminho das Goiandiras

Assisti a um capítulo muito bom de uma novela sem fim, como “Malhação, mas com um enredo que interfere diretamente no cotidiano da vida dos espectadores cidadãos...
Nove de março, segunda, fui à Reunião da Câmara de Goiandira. A sessão durou das 19h00 até as 22h30. Trabalharam a contento e não deixou também de ser espetaculoso.
Tal novela está engatinhando e perdi apenas dois capítulos iniciais. Não dá pra dizer ainda quem são os mocinhos e quem são os bandidos, porém verdadeiros artistas populares.
Pra entrar na Câmara a porta é estreita, mas uma vez lá dentro se é recompensado.
Assim que entrei contei os cento e vinte assentos destinados à platéia, mas naquela noite apenas seis foram ocupados, mas não durante todo o tempo: eu, o dono do Jornal “O Sudeste”, a mãe do vereador Professor Erick, o filho de um empresário e outros dois que misturavam política com futebol, pois ostentavam camisetas do Corinthians e Flamengo.
Falando nisso, dizem que política, religião e futebol não se misturam, mas conheci um padre prefeito que era flamenguista.
O anfitrião Pedro da Ambulância, vice-presidente da Casa, conduziu-me até um cafezinho logo após as boas-vindas. Também me emprestou uma esferográfica, talvez sem saber que tal objeto em minhas mãos pudesse se transformar numa arma poderosa contra ele próprio.
O relógio é mal colocado atrás das bandeiras do País, Município e Estado. O ar condicionado funciona muito bem, apesar de soprar as persianas verticais que vão e voltam produzindo ruídos que acabam por incomodar.
A reunião é prevista para início as 19h00, mas sempre se faz uso brasileiro dos quinze minutos oficiais de espera.
A reunião iniciou-se sem o PT, mas ainda chegaram a tempo do “set de gravação”.
A composição da mesa diretora foi feita e o Presidente Vino abriu os trabalhos com a oração do “Pai Nosso”, onde a galera pôde participar. Acho que a parte da reza “Perdoai as nossas ofensas” deveria ser repetida, ali, umas vinte vezes porque ofensas múltiplas são proferidas durante os debates, de maneiras sutis ou não.
Após a invocação do Pai Celestial foi feita a leitura da Ata da reunião anterior. Uma ata muito bem elaborada das atividades parlamentares, não sei se obra do Secretário Gilberto Leiteiro ou da funcionária Nice.
O que me chamou a atenção da reunião anterior relatada foi a falta justificada do Clodoaldo, a presença com fala de funcionário dos Correios e a nomeação de membros de duas Comissões, Constituição e Justiça e Orçamento e Finanças. Também de se admirar a quantidade de requerimentos oriundos do mais expressivo vereador da Casa – Antonio Raimundo Sobrinho, o Preguinho. É o campeão disparado em solicitações à Casa de reclames do povo.
A seguir deu-se a aprovação da Ata e iniciou-se, propriamente dito, o expediente, onde se discute e vota a pauta. Tal pauta não estava afixada em nenhum lugar que eu tenha identificado.
A primeira leitura tecida foi a respeito de explicações do Prefeito a respeito de criação de dez cargos comissionados para as Escolas Municipais.
Este assunto foi colocado em debate e tomou conta do maior tempo da noite. Clodoaldo, Líder do Governo e diretor de Escola, explanou sobre os problemas que se acarretaram, devido ao triplo aumento de matrículas e diminuição do quadro efetivo. Explicou que na busca da qualidade não se pode comprometer o desempenho e conquistas da escola diante um processo seletivo, uma vez que possuem as pessoas certas para tais funções e que nem seria interesse eleitoral haja vista serem profissionais de fora da cidade. Convidou a todos para visitar a Escola.
O estreante e candidato mais votado, Professor Erick, que auto se intitulou Líder da Oposição e do PT, opôs-se arduamente a tal propositura. Sempre de pé e com a Constituição empunhada bradou um conhecimento extremo da mesma e da lisura que deve ser todo um processo administrativo público. Esquentou os ânimos até com seu companheiro Zezinho Boaron, dono de três mandatos na Casa.
Acusou a administração da cidade e o próprio diretor Clodoaldo de não fazerem planejamento adequado e a trabalhar no improviso, bem como confinar as crianças. Fez convite irônico para que aprendessem administração no escritório do Deputado Rubens Otoni, do Partido dos Trabalhadores. Como o vereador Clodoaldo alegou estar muito cansado por acúmulo de funções na escola exortou-o a colocar o cargo de diretor num processo eletivo, onde reside o anseio da comunidade.
O segundo assunto, proposto por Preguinho, que passou com folga, foi a doação de um terreno de seiscentos metros quadrados à empresa Geotec, de propriedade de certo Dr Marcelo. Salienta-se que o filho estava em meio aos ouvintes. Tal empreendimento de cautela irá gerar empregos no município.
Teve vereador que até achou o terreno pequeno ao que foi explicado pelo autor que irão fazer apenas um pequeno escritório e o restante do terreno seria pátio de estacionamento de caminhões.
Quais empregos isto gera? Governos vivem doando terrenos a entidades, mas o inverso não ocorre. No caso do futuro lago de Goiandira quero ver os “donos” de o Centro Comunitário recusarem-se a receber por desapropriação.
O terceiro requerimento foi a respeito de aquisição de caminhão fumacê para o combate à dengue, também do Preguinho, mas outra redação foi dada, após relatos de Clodoaldo sobre a impossibilidade de tal ocorrência, uma vez que o número de casos no município é que torna tal possibilidade viável. O fumacê pode ocasionar lesões irremediáveis na flora e fauna, nas crianças e velhos. O pedido ficou direcionado então para drogas químicas que se utilizem em fossas.
Outro assunto discutido, autoria de Preguinho, foi a colocação de uma rotatória nas proximidades da Praça do Congo. O vereador Gilberto Leiteiro concorda com quebra-molas, mas acorreu sobre as características técnicas de tal rotatória que poderiam atrapalhar manobras de caminhões.
Deixaram a parte técnica para a Prefeitura afinal caminhoneiro é como o vento – só entra onde tem saída.
Outro assunto aprovado e bem explanado foi o item de Pedro da Ambulância com a criação, nos espaços públicos, de painéis culturais com artistas do município, particular cópia do Projeto “Galeria Aberta” de Goiânia.
Outro requerimento, autoria de Clodoaldo, objetivando um espaço para a Terceira Idade ganhou transtornos dantescos. Foi levantada por Erick que o grupo inicial de idosos foi repartido entre Turma do Gabino (Idosos) e Turma da Tia Elza (Duvidosos), mãe de Clodoaldo. Erick acha improvável que Tia Elza tenha sido reeleita por onze anos frente à Associação e que o Estatuto esteja de acordo com normas vigentes. Mais uma vez quis convencer a Clodoaldo a incentivar a mãe e promover uma eleição em moldes claros.
Outro assunto “preguento” discutido e aprovado foi em relação à colocação de dois bancos próximo à entrada do Banco do Brasil para atender a idosos.
Preguinho ainda apresentou à casa requerimento, que foi aprovado, sobre o fato de uma das torres de operadora de celular não ter sinalização noturna para afugentar aeronaves. Mal sabe ele que os grandes pilotos se arremetem contra as mesmas, quando em dificuldade, tendo em vista que as mesmas servem de amortecedor à uma queda.
Aconteceu uma segunda votação a respeito de empréstimo de um funcionário de carreira da Prefeitura ao Asilo e foi aprovada. Não sei por que o Erick não pediu vistas, como é seu costume, ou tenha pedido os balancetes da entidade para ver a real necessidade. Eu também faria questão de ver tais balancetes, pois tentei, como vicentino, durante um ano, ver tais balancetes e não consegui. O prefeito sempre ajudou o Asilo e o Presidente realmente tinha que subir no seu palanque de campanha.
Em segunda votação também foi aprovado a tão sonhada meia-entrada da plataforma de Erick. Falta trazer os shows...
O percentual de 6,48% foi ratificado como o índice de reajuste salarial e com a concordância a largos sorrisos do Sindicato dos Servidores.
Zezinho deu a notícia de ter sido eleito presidente da Associação de Moradores do Setor Primavera. Falou do interesse de ser mais que vereador, mas que o capital o impede de alçar o pretendido vôo político e que este poderá ser o seu último mandato.
Juninho deu-se como solidário a Clodoaldo nas alfinetadas oriundas de Erick, pois também tem muita consideração com dona Elza, mãe do parlamentar.
Foi aprovada uma homenagem com placa alusiva à data do Dia Internacional da Mulher à Secretária Nice, sem que também fosse comentada a efetiva participação da assistente judiciária no desenrolar dos trabalhos da casa. Tudo por iniciativa de Erick.
Erick ainda discorreu que, “nunca na história de Goiandira”, um Presidente fez tanto pela cidade. Ressaltou o valor repassado de seis milhões de reais e que o mesmo é um presidente municipalista. Uma pergunta atrevo-me a fazer: Quanto Goiandira teria repassado, nesse período, para a União? Eu, só de imposto de renda, repassei trinta mil reais e se, outras duzentas Pessoas Físicas goiandirenses fizeram o mesmo, já cobre esta quantia nunca dantes vistas. A respeito da história de Goiandira eu não conheço muito, mas o pouco que sei é que o Governo Militar mandou pra cá uma Companhia de Engenharia do Exército que ficou muitos anos por aqui fomentando o progresso. Construiu a ferrovia e ajudou na malha viária local, algo que com certeza supera estes tais dadivosos seis milhões. O Exército mandou pra cá, inclusive, aquele que seria o pai do distinto vereador, homem sem preço.
Numa avaliação da Casa, deixando de lado o Presidente Vino, que foi ótimo mediador e permitiu que os debates fossem até longe demais, coloco-os na seguinte classificação:
Oitavo lugar – o Jeto ou Geto, uma presença apagada, mas viva.
Sétimo lugar – Juninho, aparentava estar adoentado e insistia no voto apenas “SIM” ou “NÃO” sem demais comentários.
Sexto lugar – Gilberto Leiteiro, sempre dissertando e acorrendo, mas ainda inibido.
Quinto lugar – Pedro da Ambulância, eloqüente e participativo componente da mesa.
Quarto lugar – Preguinho, sempre firme e levando proposições simples ou “cabulosas” do povo à Casa do Povo. Vamos ver se dá sequência a tantos requerimentos.
Terceiro lugar – Zezinho Boaron que, apesar de esquerda, demonstra muita maturidade no trato polido da Política, teve um momento que, para repreender o companheiro Erick, perguntou-o se tomava leite de caixinha ou de vaca, mas Erick disse não tomar nenhum, certamente pra não anular o veneno que exala (grifo meu). A intenção da pergunta era mostrar que a Casa pudesse abrandar o que prescreve a Lei nua e crua determina para que o progresso possa passar.
Segundo lugar – Erick, porque na mistura ele é a pimenta. Pode suplantar o maior ídolo do PT porque tem estudo de sobra, ao contrário do outro. É arrojado e a todo instante determina que tal fato seja registrado em Ata. Podem tratá-lo como coadjuvante, mas porta-se como protagonista.
Primeiro lugar – Vereador Clodoaldo, culto, eloqüente, trabalhador, cortês. Talvez peca pelo exagero do primor, pois violino, balet, flauta doce ou “tae kwon do” não podem ser custeados com verbas públicas a não ser para o MST, pois eles podem necessitar da arte oriental pra executarem os objetivos do cultivo da terra.
Conclusão: A Casa de Leis de Goiandira está de parabéns e que, outros cidadãos, participem, pois o assunto é sério. Minhas opiniões não devem ser levadas a ferro e fogo, pois não passam de um mero ponto de vista. O trabalho é árduo e não dura apenas uma noite. Por mais longo que seja este texto ele não relatou tudo que ali aconteceu.
Os vereadores devem se inquietar diuturnamente para fazer uma cidade grandiosa, do tamanho do sonho de cada um, que certamente estará lá frente à tribuna avaliando seus eleitos.

domingo, 8 de março de 2009

CRONICÂNCER


Tenho a crônica como doença bastante avançada, incurável. Sou um impaciente compulsivo em estado irreversível de dar dó.
Meu maior desconsolo é devido à pessoa mais íntima de mim não me ler. Como efeito coliteral dessa mania escriturária, sou superdotado de concentração precoce – o mundo pode desabar, quando estou a canetar que continuo alheio ao espetáculo do fim do mundo. É por isto, às vezes, num tom deprimido ou pejorativo, que minha não-leitora mais famosa se aproxima desesperançada e brava: - Ô, escritor, Deus me livro de você, tô te chamando faz um tempão... (blá, blá, blá)
Ela é tão não-leitora minha que se eu suicidar com uma poesia atravessada no pescoço e deixar um bilhete - o inédito vai junto comigo ao caixão. Na minha lápide quero uma frase bem lapidar, resumindo minha vida: Aqui jaz um poeta de uma musa analfabeta dele.
Só de vingança, professora!
Pra se ter uma idéia do estado não-regenerativo deste lendário, vou fazer um relato dos apenas vinte minutos do passeio noturno que fiz com meus “canis familiaris”...

Um rápido passeio com meus amigos

Moro numa descida de quem vem e numa subida de quem vai, além do quê saindo pela direita estarei descendo. Hoje resolvi subir.
O cachorro fez xixi no poste e a lâmpada apagou. Foi bom, embora nada tivesse a ver uma coisa com a outra, porque enquanto isso a cadela deixou um “monte” na calçada e ninguém viu. Pensei em limpar na volta, mas vamos fazer de conta que foi cachorro de rua. Só quem entende muito desse assunto veria que era uma composição putrefata de ração importada doutra cidade e não restos de comidas vira-latas.
O problema também é que qualquer bosteiro de plantão olharia muito rapidamente, o suficiente para desviar-se da trajetória do monte, e emitiria uma nota de merda: - Eca.
Na esquina, um terreno baldio destinado ao Ministério Público, há “anos atrás”, virou propriedade privada a céu aberto. Vi gatos levando carrinhos de areia pra cobrir o local. Outra eca, agora minha.
Ao lado do lote há a quadra poliesportiva da Escola Municipal. É a coisa mais linda, bem ao lado do terreno vago aberto à visitação. O Diretor estava na cadeira de rodas, mas Deus viu o pecado que estava cometendo com a criatividade e deu asas à sua imaginação. Do muito que é e que faz ainda sobra tempo pra participar com maestria da política local como vereador nota mil.
Moro pertíssimo e sei que as crianças são bem tratadas no “Período Integral”. Conheço a saúde pelo grito e, Deus meu, como gritam! É muito mais fácil ter filhos hoje? Bem, isto é outra crônica...
Outra vez virei à esquerda, mas fui para o outro lado da rua por dois motivos.
Um, a calçada tem árvores pequenas, mas copadas e impedem o livre trânsito, pra passar tem que se abaixar muito. Sou a favor da natureza desde que não dificulte o meu caminho. Kkkkk.
Dois, na quarta casa tem a Princesa, uma podle linda e cega. Não sei o que minha Milica late pra ela, sei que mesmas vão à loucura. Dá pepino se estiverem uma perto da outra.
A casa nova bonita, ainda sem moradores, continua com um monte de entulho na rua. Se tirarem ela ficará mais linda.
A quantidade de carros estacionados nas calçadas é grande – Deve ser medo dos motoristas sem carteira!
Noutra esquina, com, inclusive, uma pracinha particular, o Padre da Igreja Brasileira tocou o sino oitenta e três vezes e vieram três gatos pingados à Igrejinha. Está certo que Jesus disse “onde dois ou mais estiver reunidos, em meu Nome, eu estarei presente”, mas Ele prefere o “ou mais”. Com o público tão ínfimo ele percorre o cerimonial todos os dias. Os católicos têm uma clientela maior, mas a porta da igreja se abre só aos domingos. Ninguém gosta do domingo que faz qualquer coisa pra ver a linda segunda-feira nascer em breve. Mais Kkkk
Pensando bem a Igreja Brasileira era pra ter mais público-alvo por aqui, afinal ela não está nem aí pra o tamanho dos pecados e consola todos os pecadores, inclusive é famosa por realizar matrimônios em mesmo sexo. Está certo, o único pecado que não tem perdão é contra o Espírito Santo. Não adianta chorar nem em São Paulo ou Santa Catarina ou qualquer outro lugar.
Igrejas evangélicas estão em igualdade numérica com os botecos. A gente vê pelos que cambaleiam no caminho e pelos que ostentam o Livro Preto, bradado como A Palavra!
Caminhando em paralelo à linha férrea, que transporta o minério catalano, avistei uma Igreja com a testada formando um grande vão, um grande vão, um grande vão, onde em letras garrafais, estampava-se “Assembléia de Deus”. Pronto, acho que o segundo mandamento foi a pique – “Não tomar o Santo nome de Deus em vão”.
Fui do Exército, o lugar mais estúpido da convivência humana, e falava com os outros com o tom apropriado à quantidade de ouvintes, mas na Assembléia supracitada, com apenas outros dois fiéis, o Pastor exortava a cidade inteira. “Sai Capeta!” Pronto, diminuía ainda mais o público.
Numa “Assembléia” terrena, o mais importante não é conquistar a Oposição?
Está bom, voltei rapidamente pelo mesmo caminho, mas pude admirar a música da rua em fogo, no antigo casarão da cerealista, alugado aos barrageiros sem móveis.
Coitados, redes pra todo lado e um aparelho de som dos “bão”
Podem acreditar, mas completava três dias que tocavam Amado Batista sem parar. Lá em casa toca também.
Eca!

Acrescento a esta crônica, em 29 de novembro de 2010, o comentário enviado e minha respectiva resposta, na ocasião, via carta, ao interessado.
Desculpo-me porém do meu engano, por não ter como provar, da afirmação a respeito da realização de casamento de pessoas do mesmo sexo, pela ICAB, pois foi algo que guardei na memória de um noticiário televisivo. Na realidade, a diferença principal da Igreja Romana é que ela aceita casar pessoas divorciadas e os respectivos padres da própria congregação.

Padre Roberto Bueno deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CRONICÂNCER":

Prezado Senhor: Aristeu
Estive lendo este seu artigo,e não gostei de como o senhor se referiu sobre a Igreja Brasileira.Se eu soube deste seu tal artigo eu nunca teria feito amizade com o senhor.Não gostei de como o senhor se referiu sobre a Igreja Brasileira.Quero que o senhor me prove onde e quando a Igreja Brasileira fez casamento de pessoas do mesmo sexo?
A Igreja Católica Apostólica Brasileira (I.C.A.B)nunca realizou casamentos de pessoas do mesmo sexo.Sobre a questão dos pecados dos fiéis nós não descriminamos ninguém,somos rigorosos na disciplima para que cumpram os mandamentos da Lei de Deus que se encontra na Bíblia Sagrada.Fique o senhor sabendo que achei deplorável este seu tal artigo.Fique sabendo que estarei tomando providências cabíveis sobre a nossa amizade.Trate de não nos procurar mais.Passe muito mal...
(Postado por Padre Roberto Bueno no blog CRÔNICA DO MEU INTERIOR em 18 de setembro de 2010 21:35)

Prezado representante de Cristo, Sr Padre Roberto Bueno, esta vossa indignação refere-se à uma postagem minha de cerca de ano e meio passados. Saiba vossa sapiência que eu, a cada amanhecer, sou um novo homem, graças às tentativas de seguir os ensinamentos de Jesus. Eu não permaneço o mesmo nas minhas opiniões porque sou oriundo de uma Inteligência Superior que também se expande a cada momento. Eu faço crônicas, nunca espelho da verdade, pra satisfazer a mim próprio e, quem sabe, a terceiros. É uma terapia de valor inquestionável. Talvez aos insatisfeitos dobro o espaço em direito de resposta, como diria Zaqueu. Quando afirmei que a ICAB fazia casamentos gays é porque assisti num noticiário, há muito tempo, que um padre de tal denominação havia realizado tal casamento, nas cercanias de Uberaba. Se foi anulado o ato ou o padre expulso eu não sei, mas isto é outro fato.
Tenho amigos de convivência gays e tenho certeza que a Graça de Deus os alcança com mesma medida.
Quanto ao rigor nos seguimento dos mandamentos de Deus lembro-vos que o perdão é uma medida incontável o que no-lo anunciou o mestre apenas setenta vezes sete.
Quanto a não procurá-lo basta não se perder.
Passe sempre muito bem e que Deus continue iluminando esta tua jornada. Mais uma lembrança de seu “suposto” Mestre: do alto da cruz, em sofrimento máximo, ainda pediu o perdão aos algozes porque não sabiam o que faziam. Será que eu sabia?

sábado, 7 de março de 2009

Um pequeno poema pra não passar em branco, mas continua pouco!




DIA INTERNACIONAL DA MULHER

MULHER: PRIMEIRA LIÇÃO DE POESIA
DE QUEM QUER SE CONSAGRAR UM DIA
COMO FILHO, NAMORADO OU VERSEJADOR.
ELA É MUSA QUAL O INDEFINÍVEL AMOR.
DEIXA CONFUSA A CABEÇA MASCULINA
COMO FÊMEA AO NÃO DOBRAR A ESQUINA.
ALMA GÊMEA POR TODA UMA VIDA,
PÉROLA RARA, DO VENTRE DIVINAL RECOLHIDA.
PRIMEIRO AMOR QUE AOS OLHOS NOS SALTA,
É SUBLIME ESPETÁCULO NA NOSSA RIBALTA,
É O TIME DE TORCIDA INCONDICIONAL,
É A BENDITA ETERNA ESMAGADORA DO MAL.
EXALTAR ESTE SER APENAS NUMA DATA MERA
É NÃO TER O DIREITO DE TODA A PRIMAVERA,
MAS SE EXISTE UMA SEMANA INTERNACIONAL
LISTE OITO DE MARÇO, SEU DIA SIMBÓLICO.
UMA FLÔR OU UM BEIJO OU UM SORRISO É O TAL
DO PREÇO ACEITO E PRA ELAS MAIS LÓGICO
PRA SE TER UMA DELAS AQUI NESTA TERRA.
SÓ O INFINITO COM ELAS SE ENCERRA,
MAS DIGAMOS BEM FORTE A DEUS NESTE DIA: VALEU!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Pouca homenagem àquele que muito retrata!




Será um ator?

Será um guerreiro?

Será um dom Juan?

Será um doutor?

Será um patriota?

“Eis que se fez servo e habitou no meio de nós.”

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA


“Uma imagem vale mais que mil palavras”


Eis a prova: Este meu texto tem mais de mil palavras.


A imagem em questão é a que consta da página anterior deste álbum. Trata-se de uma fotografia amadora tirada de máquina moderna, pois é datado na própria emulsão em dezesseis de agosto de um mil e novecentos e noventa e oito, provavelmente um domingo. À primeira vista, pela folga que abraça o Senhor em leito esplêndido, é feriado. Poderia ser o Dia dos Pais, mas matematicamente é impossível, pois tanto o “Dia dos Pais” quanto o “Dia das Mães” só acontecem entre o dia oito e quinze. Um calendário antigo ou um novo montado indica que este era o terceiro domingo de agosto daquele ano. Será que o calendário da máquina estaria desatualizado? Provavelmente não, pois o lugar está meio que deserto e, parecendo ser o Parque da Cidade de Brasília. Está um tanto quanto vazio para um dia festivo nacionalmente ou local. O que leva à conclusão que deve ser o Parque da Cidade é um pedaço de cobertura em alvenaria, que se apresenta quase saindo do campo ótico, no canto superior esquerdo do quadro imortalizado. Poderá ser um banheiro ou uma churrasqueira. A afirmação técnica mais aprofundada que o compromete como o Parque da Cidade de Brasília é a vegetação rala e torta, típica do cerrado e que se faz presente além da cerca. Outro fator interessante é que um monumento de concreto, com uma grande base, aparece bem definido na imagem. Aparenta ser uma ducha dupla muito utilizada pelos usuários de tal recanto de recreação. Tal obra se faz mister devido os baixos índices da umidade relativa do ar na Capital Federal. Por ser agosto, mês em que, às vezes, até suspendem-se as aulas em todos os estabelecimentos públicos de ensino, pois crianças são as estrelinhas, pode-se notar que a primeira metade inferior do obelisco aparenta estar molhada. A mudança do tom marrom para o mais escuro parece ter sido obra da dona água. A água molhou alguém, mas não nosso principal personagem que se apresenta sequinho e à sombra. É meio-dia ou próximo porque as sombras estão pequenas aos pés dos objetos que a formam. Além do quê, o Senhor tranqüilidade aparenta estar tirando um cochilo vespertino que, de costumeiro, virou obrigatório após as refeições de tantos anos. Não está dormindo porque o seu estilo é “batatinha quando dorme se esparrama pelo chão” e ainda encontra-se com a perna direita dobrada para o alto, formando o quatro com a esquerda esticada no gramado. A espessa cobertura vegetal, que utiliza como sombra, vez por outra, apresenta falhas que permitem a intromissão de raios fúlgidos solares. Tudo indica que o Senhor tem algum problema nas vistas, pois em uma posição, tão pouco confortável, proteje a ambos os olhos com ambas as mãos. O sol é rápido para encontrar brechas. Ele poderia estar acordado e se escondendo do flashe? Não, meio-dia externo dispensa luz artificial. Poderia querer não sair na fotografia? Nada disso, está sendo feita uma surpresa ou “pegadinha”. O par de é da Nike. Pode ser verdade, pois um desenho parecendo um sinal de “certo” aparece riscado de azul o tênis branco, inclusive indica o bom gosto e o nível social desta figura saudável. Os tênis foram tirados e um serve de travesseiro para o membro inferior esquerdo. Aparenta ter uma “barriginha” proeminente, pois está todo estirado e a mesma continua um pouco volumosa. Deve ser calvo no frontal ou coronal devido ao uso de um boné. A existência de tal boné só é notada com uma boa observação de pequena parte da aba que aparece. Sua cútis é bem branca e até parece que a pele é aveludada e nada flácida. Este homem de cabelos brancos não aposentou porque num dia de folga carrega uma “polchete” muito cheia. Deve ter mania de esquecer a dita cuja por onde anda e por isso não a desafivelou da cintura para ficar ainda mais à vontade. O fotografado se apresenta alinhado, talvez por ser uma comemoração familiar, pois não tem ares de ser exigente consigo mesmo e nem de que alguma função o exija. A camiseta branca de doer encontra-se por dentro da bermuda cinza. Existe algo estampado na frente e deve ser a respeito da promoção da Paz, pois a Capital não está de brincadeira há muito tempo. Tudo indica que quando pôr se de pé irá apanhar um copo descartável também jogado ao gramado. Existe um buraco parecido com a meta daqueles velhotes milionários que jogam golfe acima da sua cabeça, mas não é um campo de golfe, pois a sequidão é notada aqui e acolá e quem pratica tal esporte alimenta o gramado muito bem e em plenos desertos. Na sua cabeça deve estar passando o vexame da recente Copa do Mundo, acontecida na França. Parece que ele assistiu a todas as copas desde a de cinqüenta contra o Uruguai. Foram vexames diferentes, sendo a última um tanto quanto amarelada. A idéia de que ele gosta de futebol faz sentido se observar no pé da fotografia, num alinhamento com o buraco já relatado, aparecem indícios da existência de outro buraco. Ambos podem ter sido utilizados para colocar umas traves e até um travessão transformando-se numa meta ou gol. Nosso personagem é do tempo em que goleiro era chamado de guarda-metas. A posição do nosso único personagem, acreditando existir ali um gol, parece de um guarda-metas que levou um frango e se debate, horrorizado consigo mesmo. No caso verdadeiro ele deve ter engolido um frango mesmo. Comeu antes de todo mundo e dali a pouco os netos, fora do foco da objetiva, invadirão seu espaço: Ele vai ser cavalinho, vai ser goleiro, bobo, vai ser tudo, inclusive será sujado e “melecado” de balinhas, sorvetes e, os pais então, neste particular dia, poderão curtir as mães. Ele irá sorrir em quaisquer umas das situações acima descritas. Este texto tem um pouco mais de mil palavras, mas quem conhece este avô poderá imaginar muito mais, e o fará bem ao afirmar que ele está comemorando, por antecipação, já que possui mil e outras utilidades, o DIA DO FOTÓGRAFO, comemorado a cada dezenove de agosto de cada ano. Dificilmente ele aparece em fotografias porque esta arte sempre merece ser executada por ele, o especialista. Além de tudo, a sua memória também é fotográfica e nos depõe histórias fantásticas para frasear o que se ficou registrado pra sempre no negativo bem guardado. A propósito, a foto foi bem tirada, porque os truques são ensinados a todos aqueles que o cercam.


VALEU, FOTÓGRAFO JOÃO BATISTA FERREIRA BORGES.


(Adaptação da propaganda da Fotoptica na “Folha de São Paulo” em 19 Agosto 1998.)